terça-feira, 6 de março de 2012

Fil. Antiga, 3ª aula, 4/03/12


Fil, Antiga, 3ª Aula 4 de Março
Protocolo: Tomaz Fidalgo.

1.25 -- Descrição do ambiente. ele descreve como o ambiente molda todo o cenário. não é uma descrição de sons e olhares, mas de uma espécie de acontecimento que é interpretado como alterações das emoções vividas dos ânimos que estão ai a acontecer.  Animorum está no genitivo, e no genitivo quer dizer Heart, soul, passion, por isso parece estar mais relacionado com as afectações do "ânimo" no sentido mais estrito de alma racional. No entanto, isto pode querer dizer que o animus é também constituido e definido por esta capacidade de ser afectado e tensão com o exterior que o afecta (está relacionado com o que ele diz em 1.56). Depois é utilizado animus (nom.) e é para dizer que mal o ânimo se tivesse recuperado depois do luto  faria mais qualquer coisa. Ele não pode fazer isto sem ter o seu animus pronto para o fazer. Mais uma vez a ideia de disposição(e introduz o animus como algo independente, tal que usa a 3ª pessoa). O acontecimento do animus e a possibilidade de leitura dele está a ser visado nesta passagem. Esta leitura é feita num ambiente e é a descrição desse ambiente que caracteriza e como que adjetiva o animus.

1.56 "fuerat animus Cheruscis iuvare Chattos". Tinha sido animus de Cheruscis ajudar os Chattos. É traduzido por intenção. Intenção é o que tenho em mente. A relaçã entre animus e mente, a raiz e a mesma (mens, mentis). De facto, está ligado a uma relação com a prática, tal como no parágrafo anterior -- o animus está sempre em tensão com a execussão prática e com a afectação pelo meio exterior e a partir do meio exterior.

2.21 "Nec minor Germanis animus." O animus deles não era menor. Aqui foi traduzido por coragem. Eles não tinham menos ânimo do que os outros, mas estavam a levar pancada por todos os lados. Mais uma vez há uma dimensão que parece intencional. Aliás, parece que o que define o animus é sempre uma tensão em relação a algo exterior e que é essa tensão, essa disposição, que a cada instante dá sentido ao termo animus. Uma espécie de modalização do animus tal que ele é sempre aquilo que para que está virado, é sempre dado e definido não por uma subjectividade fechada ou por uma ser um ser racional, mas, pelo contrário, sempre pelas disposoções emocionais. Até agora foram sempre disposições emocionais a marcar o emprego do termo animus. Aquilo que é mais humano no homem (será assim?) é o animus, mas esse animus é sempre dado pelo contexto e pelo ambiente (milieu, Umgebung).

2.80 "sed non animus, non spes, ne tela quidem nisi agrestia aut subitum <in> usum properata". Está no moninativo outra vez. Traduzido por But his man had neither heart nor hope. Eles não tinham animus, não tinham coração, não tinham devoção, não tinham garra, não tinham ânimo. Mais uma vez a leitura de ânimo é dada pelo ambiente.

3.3 Para que o seu rosto não pudesse ser lido (intelegerentur). O rosto é uma expressão do animus.  com o animus vencido pelo luto - um animus sujeito, exposto ao luto. Ele não aguentou suportar a dimensão do mal à vista de todos. A voz passiva que descreve o animus como uma entidade na vida de antónia e a obriga a ficar em casa porque ele (o animus) foi vencido pelo luto. O animus é o sujeito agente da passiva.

3.54 "aeger et flagrans animus haud levioribus remediis restinguendus est quam libidinibus ardescit " A tradução vem neste sentido: " Yet as even bodily disorders of long standing and growth can be checked only by sharp and painful treatment, so the fever of a diseased mind, itself polluted and a pollution to others, can be quenched only by remedies as strong as the passions which inflame it " O termo agora utilizado é "mind".  O contexto continua a ser o das paixões. O animus foi inflamado pelas paixões e está como que tomado por elas. Oposição ao corpo. Há uma comparação directa com o corpo. O animus é uam realidade tão complexa como o corpo e é susceptível de ser corrompido, mas que é também corruptor. Mais uma vez o animus como centro de decisão, como se o animus estivesse dentro de nós e  vivesse por nós. definição também dos limites do humano, do humano enquanto movido pelo animus: o medo e a vergonha. (será que só existem estes?)
"reliquis intra animum medendum est " O animus te de ser curado por outras coisas. mededum é gerundivo, por isso talvez queira dizer que "o que deve ser curado". Eles traduzem por coração. Agora aponta para uma dimensão interior, ao contrário de antes, ainda que seja moldado pela procura de saída de uma situação, um âmbito restante de intencionalidade prática. O pudor é o limite. O animus passa a ser trabalhado pelo pudor. Definição do animus pela definição do horizonte de execussão e do espectro de possibildiades do animus, e definição dos limites dessas possibilidades pelo medo, pudor, necessidade e satisfação. Intrepertação do acontecimento do humano como susceptível de ser movido pelo exterior, como um motor exterior. O cobicioso é que é movido pela cobiça, é isso que o leva a ser mais ele e isto é descrito como uma doença. O pudor é o limite deste ser agido.

3.55 " mansit tamen prior animus " Traduzido por "mantinham-se os gostos antigos. Mais uma vez a determinação do animus num contexto social e de afectações e paixões, como se vê no início do parágrafo.

4.1 " corpus illi laborum tolerans, animus audax ". Traduzido por espírito (spirit). Neste caso é para descrever, ao contrário do que vinha dito atrás, algo inato, algo que nasce com ele e lhe pertence, e por isso em vez de ser moldado pelas situações molda a atitude dele perante as situações. Tem uma relação com o que ele faz pois ele configura as situções e age em cada caso com esta característica que lhe está no animus. Neste sentido, o animus parece ser algo como carácter ou personalidade. (tal como ele se referia ao ingenium). Mais uma vez a oposição entre corpo (corpus) e animus. A descrição do animus audax expande-se. É pelo seu animus que ele fez o que fez. O animus como causa de todas as acçõe que fez e permite compreender a sua forma de actuar, pelo que mais uma vez há uma dimensão causal: o animus como causa e as acções como consequência.

4.16 animus. e para lhe mover o animus a ir às cerimónias, deu-se um dote de X..."to inspire the priests.."

4.40 " ipse quid intra animum volutaverim "
" nihil esse tam excelsum quod non virtutes istae tuusque in me animus mereantur " ele utiliza isto para falar do que pensa, o "que lhe vai na alma"...o que eu quero cá dentro é tal...tal como, in me animus .. para expressar o que pensa.

4.71 "avebat animus antire statimque memorare exitus quos Latinus atque Opsius ceterique flagitii eius repertores habuere " traduzido por " I should feel a strong impulse to ".  Mais uma vez se relaciona o animus com os impulsos e as disposições.

5(6).7 " Tunc singulos, ut cuique adsistere, adloqui animus erat, retinens aut dimittens partem diei absumpsit " Estavam virados para ficar alli. Tinham o animus "virado para aí". Mais uma vez disposição que conforma a acção subsequente. Eu queria = eu tinha o animus virado para lá.

6.6 " malis consultis animus dilaceretur " O espirito é dilacerado pelos males e a lascívia e etc... Contrário ao que se tem dito (não é contrário, mas segue noutra linha). O espírito, o animo, é algo nosso que é consumido e fica gasto e ferido pelas maldades e pecados...(ainda que esteja sempre em relação com eles).

6.38 Utiliza animus para e referir ao leitor, para aliviar o animus do leitor ele relata outra coisa. O animus como acontecimento de lucidez.

13.11 "ut iuvenilis animus levium quoque rerum gloria sublatus maiores continuaret. " o espírito juvenil...qualificação do animus: o animus é algo de humano, possivelmente o acontecimento da lucidez, mas esse acontecimento de lucidez dá-se de formas diferentes consoante a idade. (e possivelmente as disposições, que também são características da idade).

14.53 " ubi est animus ille modicis contentus? " traduzido por " Where is the mind once content with a humble lot? " Onde está o espírito quando se contenta com um lote humilde? Animus como audácia, ambição. Pode-se agora reparar que o termo animus tem sempre aparecido com um adjectivo ou com outra forma qualquer de qualificação e descrição do mesmo. é uma espécie de descrição por exposição das situações. Vai sempre sendo caracterizado (afinal também pode ser carácter). Nunca se fala simplesmente do animus.

15.21 "invictus adversum gratiam animus ", traduzido por "temper". uma disposição, um tempero, um feitio. Um tendência contra a parcialidade...não ter estômago para isso. Tal como atrás, revela algo que nasce connosco, algo inato.

15.54 "nam cum secum servilis animus praemia perfidiae reputavit simulque immensa pecunia et potentia obversabantur " Traduzido por  "For when his servile imagination dwelt on the rewards of perfidy ". O espírito ou imaginação servil.Vem já caracterizado.

15.68 "at non Faenio Rufo par animus ". Ele não tinha um animus igual. Será que isto é dito no sentido de não tinha a mesma qualidade? O animus mais uma vez como algo sempre apresentado qualitativamente?

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