segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Filosofia Antiga, protocolo da sessão de 11/10/11


1028b2-4: “E, com efeito, o que desde há muito, agora e sempre, está a ser procurado e sempre também cria dificuldades é: o que é ser um ente, isto é, o que significa ser uma entidade? καὶ δὴ καὶ τὸ πάλαι τε καὶ νῦν καὶ ἀεὶ ζητούμενον καὶ ἀεὶ ἀπορούμενον, τί τὸ ὄν, τοῦτό ἐστι τίς ἡ οὐσία”.  
No programa do livro Zeta da Metafísica, Aristóteles procura responder à pergunta citada. Heidegger e Aubenque referem o passo. Importa vincar que a resposta de Aristóteles não é apenas positiva. A resposta move-se em duas direcções. Uma é proibitiva. Importa interditar respostas ambíguas e insuficientes à pergunta pela entidade. A interdição exclui diversos horizontes categoriais. No catálogo das categorias (cf. Infra) mais completo que Aristóteles enuncia podemos identificar os horizontes de determinação de um ente. 
  1. Tί ἐστι: O que é que X tem para ser um X e ser o X que é?
  2. Ποιόν: Como é e de que modo?
  3. Ποσόν: De que tamanho é X ou qual a sua dimensão? 
  4. Πρός τι: Por referência ao quê ou por relação com o quê? Isto é: quais são os elos ou nexos que põem X numa relação de identidade consigo e diferença relativamente a tudo que X não é? Com que outras entidades estabelece uma relação? Qual a rede de nexos que constitui X, a sua constelação? Uma coisa existe sem estar isolada na posição absoluta de si absolvida de tudo. É assim que X é o dobro de… e metade de…. 
  5. Ποῦ: Onde é que está? Qual é o seu sítio e lugar próprio?
  6. Ποτέ: Quando e durante quanto tempo? 
  7. Κεῖσθαι: Como é que se encontra? Aristóteles visa por exemplo a posição que o corpo humano assume ao estar em combate, estar a fazer uma caminhada, estar deitado a dormir, estar sentado à conversa. Assim também as coisas estão numa posição determinada, encontram-se num “estar”. A mesa de pernas para o ar, arrumada, a meio da sala, encostada à parede. A chávena fora do sítio, no lava loiças ou em cima da mesa para a sobremesa, etc., etc..
  8. Ἔχειν, o ter. O que é que X tem? Aristóteles desdobra a categoria do ter, “habitus”, em várias frentes. A. A disposição que constitui qualquer coisa e que permite “ser afectada por um agente”  (“intervencionada”, “accionada”, “tratada”, “lidada”, “agida”, “resolvida”, etc., etc..), isto é, trata-se do objecto de uma determinada acção operada por um agente da passiva específica que de cada vez se trata. O que uma coisa tem ou possui pode por outro lado ser: “dirigir-se a si de acordo com a natureza ou de acordo com o impulso de cada um” (MF 1023a8-19). Diz-se que a febre “tem” o homem, o tirano “possui” a cidade, as pessoas vestidas “têm” roupa. Pode ser o potencial de um objecto que permite a sua transformação: o trigo para o pão, o mármore para a estátua, o ouro para o anel, etc.. Pode ser a relação do que contem ao seu conteúdo. O contentor contem líquido, a embalagem contem bens, etc.. Pode pensar-se o conteúdo como contido em… por… Pode ser ainda o poder de reprimir a impulsão que cada um tem para agir ou actuar ou o poder de suster qualquer coisa de ruir ou de se transformar. É o que existe a constituir a relação intrínseca entre um ter e um tido. Ter um fato no armário e ter um fato vestido são formas diferentes de ter um fato e de um fato ser tido. Num caso está arrumado no outro é “trazido”. Vestir um fato, Vestir-se um fato, altera a disposição do fato. O fato adquirido que pode ser usado passa a ser usado. Quando se diz que alguém está vestido diz-se que não está nu e que tem roupa, independente de qual seja. É diferente de dizer-se: “Aquele armário tem um fato”.
  9. Ποιεῖν: o que produz X, o que faz? Como actua. A forma activa de X ser causa impacto, produz uma energia específica que tem que ver com a sua actividade. Uma actividade específica da coisa que é gerada a partir de si ou provocada. É um modo de ver o Ter de uma coisa. Trata-se da produção da actividade específica de uma coisa, o lado activo de um estado de coisas: poder andar e fazer o caminho, acender a vela, ligar o dispositivo. 
  10. Πάσχειν é o correlato de uma acção, o lado passivo de uma actividade. É o caminho percorrido e andado, a vela acesa, o dispositivo ligado. A disposição que X tem permite pensar X como campo susceptível de ser afecto por agentes que lhe são intrínsecos ou extrínsecos. Permite pensar concomitantemente X como o agente de acções. 
Apenas a pergunta que exprime a primeira categoria: o que é que faz X ser o X que é? O que é X? Pode ser respondida pela οὐσία. O ser que X é, a entidade presente nele que faz de X ser X, a X-idade, é o que responde ao que uma coisa é, ao que é preciso ter para ser o que é. Todas as outras existem na dependência exclusiva do τι do τὸ ὄν. São morfologias não independentes de uma coisa. Não articulam, portanto, o sentido decisivo que responde à pergunta: o que é isto? O que faz “disto” ser isto desta maneira? 
Ser οὐσία significa, σημαίνει, γὰρ: 
  1. A οὐσία: é o “é” na resposta à pergunta: “o que é isto?”, “isto “é”…”. O ente, o que uma coisa é, é o que ‘faz’ esse ente ser o ente que é. Por outro lado, a forma mínima de visar o que uma coisa é, é dizer: X “é isto que existe ou é desta e daqueloutra maneira”:— τὸ μὲν τί ἐστι καὶ τόδε τι. (Cf. Frede/Patzig: was es heißt dies zu sein/Dies von der Art (o que quer dizer ser ‘isto’/ ‘isto’ desta maneira). Uma entidade é a condição de possibilidade que um ente tem para ser o ente que é. A entidade confere ao ente o que esse ente requer para ser o ente que é. A árvore na floresta trabalhada na serração. As tábuas na marcenaria. A mesa. O rectângulo, o rectângulo de madeira. O tampo da mesa. A mesa é ‘isto’ aqui desta maneira. O que é isto? Isto é uma mesa. Uma mesa é um ente que existe desta maneira, é uma espécie de peça de mobiliário, do género do equipamento, etc.., etc.. O que X é é definido pelo advérbio de modo expresso pelo pronome indefinido ΤΙ. X manifesta o seu ser-que-é de um determinado modo, jeito e maneira. Mas um modo, jeito e maneira que dependem exclusivamente do QUE X é. Tudo se passa como se tivéssemos de referir o que X é não por um nome mas por um verbo que desse também conta do seu modo de ser. Por absurdo que possa parecer a formulação: a “mesidade” da mesa, é a entidade que faz da mesa o ente que é. Poderíamos dizer que a mesa “mesa”, as mesas “mesam”, como se o infinitivo “mesar” fosse a expressão da acção peculiar do objecto mesa, a expressão do seu ser. Assim a “cadeiridade” de “uma cadeira” é a entidade que faz de um ente ser uma cadeira. O “cadeirar” seria a acção específica do ente que uma cadeira é. Este sentido verbal da ΟΥΣΙΑ obriga a pensar uma substância não apenas como sujeito inerte e lógico de um enunciado mas como um “ente vivo” se assim se pode dizer que ao mesmo tempo que existe manifesta a sua essência ao ser o que é.
A questão passa por compreender todo o conjunto de teses que suportam uma coisa no ser a coisa que é. Assim, quando Aristóteles refere a ΟΥΣΙΑ enuncia o particípio presente do verbo ser, no neutro: τὸ ὄν. O que se traduz por “ente” é na verdade um particípio substantivado: o sendo, o que X dá de si, como se mostra e o que pode fazer. A forma particular da presença de X se apresentar e estar presente. O ponto como veremos é acentuado pelo aspecto verbal do particípio. O que está a ser agora, o que está a acontecer neste momento, a forma peculiar de X se manifestar e actualmente estar presente. No gerúndio encontramos uma expressão aspectual de uma acção em que o ente que protagoniza essa acção está a “cumprir-se”. O processo não está finalizado, está precisamente no seu decurso, está a acontecer, encontra-se em marcha ou andamento, adquire uma peculiar função adverbial. Um ente é o que está sendo, tem estado a ser, no decurso da acção e do processo de ser, nunca inerte, nunca imóvel ou parado. X encontra-se sempre em trânsito, no decurso da demora em que dura.
Todas as respostas à pergunta no interior de cada horizonte categorial não nos põem perante esta singular forma de visar a coisa no seu ser, quer dizer, a coisa “a ser”, “sendo”. Cada um dos categoremas ou predicativos que pré ou a- tematicamente está a constituir cada coisa encontra-se implicado no seu ser categoria na essência de X sendo ou estando a ser o X que é. 
Top., 103b26:  “É evidente a partir disto [que tem estado a ser exposto] que quando se quer dizer qual é o sentido do que X é, umas vezes referimos a ΟΥΣΙΑ, outras vezes porém, refere-se a dimensão, outras o modo de ser, outras ainda qualquer uma das categorias (δῆλον δ’ ἐξ αὐτῶν ὅτι ὁ τὸ τί ἐστι σημαίνων ὁτὲ μὲν οὐσίαν σημαίνει, ὁτὲ δὲ ποσόν, ὁτὲ δὲ ποιόν, ὁτὲ δὲ τῶν ἄλλων τινὰ κατηγοριῶν. )”. Ou seja, se a compreensão do sentido da entidade que X é, estiver assente, mesmo que atematicamente, sem ser enunciada ou dita, é possível com esse plano de fundo “na nossa cabeça” referirmos outros horizontes constitutivos de uma coisa. Se eu disser só “o azul”. O contexto pode situar o que eu estou a dizer a outro. “Qual é o casaco que queres vestir?”. O azul.
  1. Assim: quando se diz do ser humano que se encontra ali “o humano que está ali é um ser vivo, o que se está a dizer é o “que” o ser humano é, está a indicar-se ou a referir-se a sua ΟΥΣΙΑ. (ὅταν μὲν γὰρ ἐκκειμένου ἀνθρώπου φῇ τὸ ἐκκείμενον ἄνθρωπον εἶναι ἢ ζῷον, τί ἐστι λέγει καὶ (30) οὐσίαν σημαίνει).”
  2. Quando porém digo de algo que está revestido pela cor branca, por exemplo uma folha de papel, que isso é branco ou é uma cor, estou a visar a essência do branco que é ser cor mas também a qualidade da folha de papel que é branca mas podia ser amarela (ὅταν δὲ χρώματος λευκοῦ ἐκκειμένου φῇ τὸ ἐκκείμενον λευκὸν εἶναι ἢ χρῶμα, τί ἐστι λέγει καὶ ποιὸν σημαίνει.)
  3. Do mesmo modo, por outro lado, “quando digo que o que se encontra aí tem o tamanho de um cúbito (mede mais ou menos um antebraço) e digo que é uma dimensão ou um tamanho, estamos a referir-nos ao tamanho de qualquer coisa mas ao mesmo tempo ao dizer que um cúbito é uma medida estamos a dizer o que um cúbito é na sua essência (ὁμοίως δὲ καὶ ἐὰν πηχυαίου μεγέθους ἐκκειμένου φῇ τὸ ἐκκείμενον πηχυαῖον εἶναι μέγεθος, τί ἐστι λέγει καὶ ποσὸν σημαίνει.)” 
  4. O mesmo se passa também, por outro lado, a respeito de todas as categorias. Cada instanciação tem um horizonte de determinação. Embora, haja horizontes de determinação que não são essenciais para a compreensão do que uma coisa é (ὁμοίως δὲ καὶ ἐπὶ τῶν ἄλλων) (34) 
  1. MF Θ: Estivemos, assim, portanto, a explicar-nos a respeito do que primeiramente é ente e relativamente ao qual todas as outras categorias do ente se referem, acerca da ΟΥΣΙΑ.  Περὶ μὲν οὖν τοῦ πρώτως ὄντος καὶ πρὸς ὃ πᾶσαι αἱ (27) ἄλλαι κατηγορίαι τοῦ ὄντος ἀναφέρονται εἴρηται, περὶ τῆς οὐσίας 
  2. É de acordo com a fórmula da ΟΥΣΙΑ que se dizem todas as outras coisas que são: a quantidade, a qualidade e todas as categorias que assim são enunciadas. Todas elas têm de ter uma fórmula de entidade, como dissemos nos primeiros passos. (κατὰ γὰρ τὸν τῆς οὐσίας λόγον λέγεται τἆλλα ὄντα, τό τε ποσὸν καὶ τὸ ποιὸν καὶ τἆλλα τὰ οὕτω λεγόμενα· πάντα γὰρ ἕξει τὸν τῆς οὐσίας λόγον, ὥσπερ εἴπομεν ἐν τοῖς πρώτοις λόγοις)· Uma vez que o está sendo a coisa que é pode ser dita de acordo com sua qualidade ou quantidade bem como de acordo com o seu potencial e actualidade ou de acordo com a energia específica da sua função, é necessário distinguir a potência (ou capacidade ou possibilidade) e o ser em acto dessa potência a manifestar-se. , do tamanho que tem, do poder, capacidade e potencial que possui, como está no processo de ser em acto o ser que é, de acordo com a eficácia da sua produção (ἐπεὶ δὲ λέγεται τὸ ὂν τὸ μὲν τὸ τὶ ἢ ποιὸν ἢ ποσόν, τὸ δὲ κατὰ δύναμιν καὶ ἐντελέχειαν καὶ κατὰ τὸ ἔργον, διορίσωμεν καὶ περὶ δυνάμεως καὶ ἐντελεχείας, 1045b35). 
  3. A oposição δύναμις/ ἐντελέχεια, ἐνέργεια permite pensar de forma reduzida categorias como o ter, o estar, o agir, o sofrer, o ser em relação com. Em causa está pensar a tensão entre a forma da matéria e a matéria deformada ou privada de forma. O sentido do que X é, está sendo ou não sendo o que podia ser, já não é como era ou ainda não começou a existir como poderia existir, projecta-se a partir da relação complexa do que uma coisa é e da possibilidade de não ser o que é, de vencer o prazo, de se esgotar, de acabar, de ser caduca. “A possibilidade e o ser possível dizem-se de muitas maneiras (ὅτι μὲν οὖν λέγεται πολλαχῶς ἡ δύναμις καὶ τὸ δύνασθαι, 1046a4)”. A δύναμις refere o que uma coisa pode ser, o que oferece, a sua utilidade, função, uso. Admite vários graus de manifestação. Uma cadeira pode ser incómoda ou cómoda. Uma cadeira não pode ser nem muito maior nem muito menor do que a mesa a que se encontra. Uma cadeira que nunca é utilizada ou que está sempre a ser usada, etc., etc.. Por outro lado, a possibilidade é pensada em tensão com a possibilidade da sua impossibilidade. A cadeira ficou inutilizada. A madeira das suas pernas ganharam bicho, apodreceu. Etc., etc.. Uma cadeira arrumada que se vai buscar para alguém. Alguém que se senta nela e se levanta dela. A ἐνέργεια corresponde ao estar em função, estar em exercício de funções, a fazer o que compete, a trabalhar. É o estar a trabalhar no sentido em que oferece activamente a sua possibilidade. Concretiza possibilidades. O momento em que me sento numa cadeira e o tempo em que nela me encontro sentado: o preenchimento activo do ser possível da cadeira que se tornou realidade.
A formalização da ἐνέργεια aponta para a causa eficiente ou princípio da mudança: 1046a10: “princípio da transformação de algo noutro ou de algo em si mas enquanto outro (ἀρχὴ μεταβολῆς ἐν ἄλλῳ ἢ ᾗ ἄλλο).” Tal implica que X tem a capacidade de sofrer uma acção de mudança ou transformação (ἡ μὲν γὰρ τοῦ παθεῖν ἐστὶ δύναμις) ou seja de ser afectado por, de passar por… O princípio de transformação qualitativa existe no ‘paciente’ de uma determinada acção, é o que faz dele poder ser afectado por um agente ou por si enquanto se encontra submetido a uma acção que tem origem nele (ἡ ἐν αὐτῷ τῷ πάσχοντι ἀρχὴ μεταβολῆς παθητικῆς ὑπ’ ἄλλου ἢ ᾗ ἄλλο·). Ter poder pode ser a capacidade de não afectação de algo que por cuja transformação piore ou seja destruído (ἡ δ’ ἕξις ἀπαθείας τῆς ἐπὶ τὸ χεῖρον καὶ φθορᾶς τῆς ὑπ’ ἄλλου ἢ ᾗ ἄλλο ὑπ’ ἀρχῆς μεταβλητικῆς.)
É evidente, portanto, que se trata de uma única potência pela qual se dá o sofrer uma acção ou o passar por uma acção e pela qual se dá também o agir ou actuar de algo (ser possível, por conseguinte, dá-se pelo próprio ter a possibilidade de sofrer uma determinada acção e pelo próprio estar algo a ser afectado por outra coisa (φανερὸν οὖν ὅτι ἔστι μὲν ὡς μία δύναμις τοῦ ποιεῖν καὶ πάσχειν (δυνατὸν γάρ ἐστι καὶ τῷ ἔχειν αὐτὸ δύναμιν τοῦ παθεῖν καὶ τῷ ἄλλο ὑπ’ αὐτοῦ). Um aspecto da possibilidade existe em X como o que sofre uma acção, o ‘paciente’, o ‘objecto de uma determinada acção’ (é em virtude de X ter um determinado princípio e pelo facto de a matéria ser também um certo princípio, que X sofre o que sofre ou passa pelo que passa e é afectado por algo que o afecta. A gordura, por exemplo, é combustível. Este ramo aqui é frágil, etc..) A possibilidade existe obviamente no lado activo ou na dimensão agente da acção. A δύναμις existe do lado do agente: é a fonte térmica, a construção civil, é o elemento presente na fonte térmica a emitir calor e no que tem a capacidade de construir uma casa. 
(ἡ μὲν γὰρ ἐν τῷ πάσχοντι (διὰ γὰρ τὸ ἔχειν τινὰ ἀρχήν, καὶ εἶναι καὶ τὴν ὕλην ἀρχήν τινα, πάσχει τὸ πάσχον, καὶ ἄλλο ὑπ’ ἄλλου· τὸ λιπαρὸν μὲν γὰρ καυστὸν τὸ δ’ ὑπεῖκον ὡδὶ θλαστόν, ὁμοίως δὲ καὶ ἐπὶ τῶν ἄλλων), ἡ δ’ ἐν τῷ ποιοῦντι, οἷον τὸ θερμὸν καὶ ἡ οἰκοδομική, ἡ μὲν ἐν τῷ θερμαντικῷ ἡ δ’ ἐν τῷ οἰκοδομικῷ·)
É por essa razão que a acção e a paixão estão de tal forma constituídas por natureza, διὸ ᾗ συμπέφυκεν, que não há nada a priori que sofra por si enquanto si o que quer que seja, οὐθὲν πάσχει αὐτὸ ὑφ’ ἑαυτοῦ, isto é sofre-se enquanto objecto de uma acção que pode provir do mesmo objecto mas enquanto agente. Mas a possibilidade é pensada em função da privação do possibilitante e da possibilidade: a impossibilidade e o impossível correspondem à peculiar forma de ser, estar ou ficar desprovido e privado de possibilidade (καὶ ἡ ἀδυναμία καὶ τὸ ἀδύνατον ἡ τῇ τοιαύτῃ δυνάμει ἐναντία στέρησίς ἐστιν) 29-30. É uma στέρησις.  Estar privado da possibilidade, capacidade, potência, quer dizer que toda a possibilidade do mesmo e de acordo com o mesmo é, está ou ficou impotente (ὥστε τοῦ αὐτοῦ καὶ κατὰ τὸ αὐτὸ πᾶσα δύναμις ἀδυναμίᾳ.)
Os princípios de determinação do que uma coisa é implicam-no no quadro geral da compreensão do princípio que identificamos como origem da mudança. Assim, na formulação X ser mudado por Y, X ser objecto da acção do agente, permite-nos compreender X como sendo susceptível de determinadas alterações e na verdade também de X não ser susceptível de alterações ou ainda de X se tornar de todo em todo inerte e impotente. Quer dizer, X é pensado não apenas na sua actualidade, sendo o que é, mas é determinado em função de um horizonte de sentido que o pensa num limite como capaz de ser, possível, potente, e no outro como sendo incapaz, impossível, impotente. Isto é: o “ser” de qualquer ente é constituído por um aspecto fundamental que representa, pela matéria que o constitui, mas também pela possibilidade de perda da forma, de deformação da matéria, de neutralização e aniquilação, desaparecimento. A privação é X desprovido da sua essência. X reconhecido ainda como o que foi e pode ou não voltar a ser. Um copo partido, uma chama apagada, o prazo vencido dos objectos não é outra coisa se não a sua conversão em impossíveis. O impossível é a versão negativa do possível. Os víveres, o que está a ser, os objectos, as peças de vestuário, os outros, um dia, um ano, o que for, os recursos do planeta, etc., etc.. São pensados em tensão com o seu esgotamento, o esgotamento e cancelamento das suas possibilidades, na verdade da sua possibilidade maior: estarem disponíveis, haver. 
Recuperação: o que primeiramente é o que uma coisa é sendo o que é é a ΟΥΣΙΑ “quando dizemos qual é a qualidade determinada disto aqui deste género, dizemos que é bom ou mau, mas não dizemos que tem três cúbitos ou que é um homem. Por outro lado quando dizemos o que é X, não dizemos que é branco, está quente ou mede três cúbitos, dizemos antes que é um ser humano ou que é Deus) πρῶτον ὂν τὸ τί ἐστιν, ὅπερ σημαίνει τὴν οὐσίαν (ὅταν μὲν γὰρ εἴπωμεν ποῖόν τι τόδε, ἢ ἀγαθὸν λέγομεν ἢ κακόν, ἀλλ’ οὐ τρίπηχυ ἢ ἄνθρωπον· ὅταν δὲ τί ἐστιν, οὐ λευκὸν οὐδὲ θερμὸν οὐδὲ τρίπηχυ, ἀλλὰ ἄνθρωπον ἢ θεόν”. Todas as outras categorias são ditas por referência ou por pertencerem o que efectivamente está a ser desta maneira o ser que é (τὰ δ’ ἄλλα λέγεται ὄντα τῷ τοῦ οὕτως ὄντος) São quantidades, τὰ μὲν ποσότητες, qualidades, τὰ δὲ ποιότητες, afecções, δὲ πάθη, categorias de outro género, τὰ δὲ ἄλλο τι. 
IIª parte.
Como temos estado a ver, as condições de possibilidade de referir o que quer dizer ser uma coisa a coisa que é, o ‘isto’ da maneira são não apenas a forma peculiar do ser X de um determinado modo mas também o facto da forma “encostar” e acontecer num subsistente, que lhe dá persistência diacrónica e identidade. O substrato é a matéria definível por uma forma. A matéria pode ser deformada e continuar a existir como substrato. O modo peculiar como Aristóteles pensa os princípios constitutivos de um ente não são contudo apenas estes. A forma subsiste continuamente em tensão com a sua peculiar forma de deformação. A matéria de qualquer coisa pode desintegrar-se. Com a desintegração perde-se a condição necessária da existência de uma matéria ser enformada. Mas a forma tem diversos modos de se deformar e com essa deformação, mesmo com a subsistência da matéria, uma coisa pode deixar de ser a coisa que era. Uma coisa existe entre limites: a sua formação e com a sua formação o princípio da deformação. Dito de outro modo, tudo o que passa a ser e vem à forma particular da sua existência está em tensão com a sua destruição, o seu não deixar de ser, o seu ter um dia deixado de ser, haver desaparecido. A στέρησις, a privação, a falha, o embargo ou cancelamento de qualquer coisa está a constituir o limite horizontal do que essa coisa é. Assim, a matéria, a forma e a privação constituem três princípios constitutivos da ΟΥΣΙΑ de algo. Quer dizer, X não é a posição absoluta e absolvida da sua contraposição, do seu não ser. Uma coisa não é a entidade matemática e abstracta que parece manter-se idêntica a si mesmo, sendo sempre do mesmo modo, sendo sempre o que é. X está em tensão com o seu não ser X. 
Como no pensamento de Anaximandro, fr. 1. : SIMPLIC. Phys. 24, 13 [vgl. A 9]:
“Anaximandro disse que o ilimitado é o princípio dos entes, é de onde os entes têm o seu passar a ser, é também para lá que a sua destruição os leva, de acordo com o necessário (…) de acordo com a organização intrínseca do tempo. ( Ἀ. ... ἀρχὴν .... Εἴρηκε τῶν ὄντων τὸ ἄπειρον .... ἐξ ὧν δὲ ἡ γένεσίς ἐστι τοῖς οὖσι, καὶ τὴν φθορὰν εἰς ταῦτα γίνεσθαι κατὰ τὸ χρεών (…) κατὰ τὴν τοῦ χρόνου τάξιν.)” H. Diels and W. Kranz, Die Fragmente der Vorsokratiker, vol. 1, 6th edn. Berlin, Weidmann, 1951.
Isto é, o primeiro momento radical de qualquer coisa não é apenas constituído pela sua geração, pela sua vinda a ser. Nesse primeiro momento começou o seu deixar de ser, o seu desaparecimento, a sua destruição. O plano de fundo que Anaximandro enuncia, o ilimitado, é continuamente este fazer ser e fazer deixar de ser continuamente X. O primeiro momento é sempre o princípio do fim. As coisas está como que a “andar” de costas voltadas para o passado, num trânsito contínuo, tal que formalmente a organização do tempo é a do fim, da contagem decrescente. O primeiro momento de X tem a projecção do seu último momento, e do seu já não ser e ter deixado de ser X. No aprazamento e caducidade de cada coisa não se está a pensar apenas em animais, vegetais, homens. Há Deuses que desapareceram. O teorema de Pitágoras não existia antes de ter sido formulado e deixar de existir quando já ninguém houver para o formular. Oceanos e Continentes alteraram a sua configuração. Nada há incólume a esta tensão do que é com o seu fim. É com base nestes princípios que Aristóteles pergunta acerca da possibilidade de compreensão e determinação do que é este processo por que uma coisa passa que faz dela existente: a gera. Por outro lado, pergunta pelas condições de possibilidade da mudança, alteração e transformação de qualquer coisa. Ou seja, de entres as coisas que são e que são diferentes no seu género como é possível pensar-se a sua mudança? E será a geração de qualquer coisa uma transformação do não ser essa coisa no ser essa coisa? É a geração uma mudança? E a destruição é também uma mudança? O que faz de X não X é uma destruição. Sem dúvida. Mas poderá falar-se de mudança? É que X já não subsiste. Todo ele desapareceu ou destruiu-se.
Nos diversos processos que estão na base da existência das coisas de diferentes origens e proveniências, Aristóteles pensa por um lado o surgimento de uma ΟΥΣΙΑ, a sua génese e a sua destruição. Pensa também, por outro lado, o processo de transformação e mudança porque passa uma ΟΥΣΙΑ ao longo do tempo em que mantém uma identidade de si. A transformação é uma alteração que pressupõe uma substância gerada e não ainda destruída. Assim, parece haver por um lado aparecimento e desparecimento de substratos e por outro lado alterações no seu próprio ser. De certa forma a γένεσις é uma κίνησις de acordo com a substância: uma παρουσία, uma presença, uma vinda à presença, um apresentar-se maciço de algo aí. Por outro lado, a οὐσία admite para além da presença uma ἀπουσία maciça, um desaparecimento total. Pode haver a hipótese metafísica do mundo como o sujeito de todas as coisas que lá se encontram e que por isso, aparecimento e desaparecimento de substâncias no mundo são os seus acidentes. Ou seja, sob a perspectiva de um todo contínuo, permanente e subsistente, as coisas que aparecem e desaparecem são entendíveis como modificações no mundo, mas não radicalmente novidades, por assim dizer. O que se passa quando damos conta de que uma paisagem está mudada? Uma árvore a menos no jardim. A árvore foi cortada, desapareceu, morreu, foi queimada na lareira. Mas por outro lado o desaparecimento da árvore é apenas uma modificação acidental do jardim, da paisagem, da percepção passada. Como veremos a mudança é qualitativa.
A geração, γένεσις, o passar a ser.
Na MF, Z, 7-9, Aristóteles considera diversos horizontes em que os entes vêm a ser: “Τῶν δὲ γιγνομένων τὰ μὲν φύσει γίγνεται, τὰ δὲ τέχνῃ, τὰ δὲ ἀπὸ ταὐτομάτου, uns vêm a ser por natureza, outros por arte ou perícia, outros ainda formam-se espontaneamente.” Os dativos φύσει e τέχνῃ são dativos de causa ou fundamento (datiui causae). O ΑΠΟ com rege um genitivo de origem. Não importa perceber em detalhe a diferença da construção. Em ambos os casos está pensada a origem de onde provem qualquer coisa e um princípio causal que está na base do surgimento de cada coisa. 
No passo seguinte, Aristóteles exprime a sintaxe ontológica da geração. “Tudo o que vem a ser vem é gerado por algo e resulta de algo tal como é algo. (πάντα δὲ τὰ γιγνόμενα ὑπό τέ τινος γίγνεται καὶ ἔκ τινος καὶ τί)”. A formulação da geração é um decalque da formulação da causa eficiente no livro Alfa minúsculo da metafísica. Tínhamos visto aí que “o de onde vem o princípio da mudança (causa efficiens, ὅθεν ἡ τῆς κινήσεως ἀρχή)” tinha a formulação alternativa: Χ ὑπό τινος κινηθῆναι, Χ ser mudado por algo. Aqui verifica-se apenas a substituição do verbo: κινηθῆναι por γίγνεσθαι. A formulação passiva mantém-se. O que vem a ser, o que passa a ser, o que se gera ou é gerado, é objecto de uma acção de um agente da passiva. 
Independentemente das diferenças horizontais um ente natural, um ente técnico, um fenómeno espontâneo vêm a ser pela acção de um agente que os fez passar de um momento em que não existiam para um momento em que passaram a existir. O mesmo que se passa para o X que não era e passou a ser, passa-se também com a restantes categorias individuais. “O que X é é articulado de acordo com cada uma das categorias é isto aqui deste género, tem um tamanho, é de uma maneira, passa a ocupar espaço, etc. τὸ δὲ τὶ λέγω καθ’ ἑκάστην κατηγορίαν·  ἢ γὰρ τόδε ἢ ποσὸν ἢ ποιὸν ἢ πού.)”. Quer dizer o que X é implica-o logo num conjunto de determinações que são as suas.
Para além deste aspecto geral de princípio, A. concentra-se nas diversas proveniências da geração. Considera a geração natural, o que se dá de forma espontânea, o acaso (καὶ 
ἀπὸ ταὐτομάτου καὶ ἀπὸ τύχης παραπλησίως) e considera formas de geração fora do âmbito da natureza, as ποιήσεις: o que resulta da técnica ἀπὸ τέχνης, o que resulta de uma possibilidade ou capacidade ou potência, ἀπὸ δυνάμεως, e o que nasce do pensamento, ἀπὸ διανοίας. 
ΦΥΣΕΙ
“As gerações que são naturais são as que têm a sua origem na nautreza, é daí que resulta o passar a ser de algo. Aquilo a partir do qual são geradas chamamos matéria, aquilo pelo qual vêm a ser é qualquer um dos entes que existem na natureza. Aquilo em que eles se tornam é um homem, uma planto ou de qualquer coisa deste género e que chamamos substâncias de forma suprema. (αἱ δὲ γενέσεις αἱ μὲν φυσικαὶ αὗταί εἰσιν ὧν ἡ γένεσις ἐκ φύσεώς ἐστιν, τὸ δ’ ἐξ οὗ γίγνεται, ἣν λέγομεν ὕλην, τὸ δὲ ὑφ’ οὗ τῶν φύσει τι ὄντων, τὸ δὲ τὶ ἄνθρωπος ἢ φυτὸν ἢ ἄλλο τι τῶν τοιούτων, ἃ δὴ μάλιστα λέγομεν οὐσίας εἶναι)”. 1032a 15 e sg. Assim, o que tem matéria natural e o que se gera de acordo com a natureza e aquilo pelo qual existe de acordo com uma determinada forma é uma natureza homogénea. Um homem gera um homem. (καθόλου δὲ καὶ ἐξ οὗ φύσις καὶ καθ’ ὃ φύσις (τὸ γὰρ γιγνόμενον ἔχει φύσιν, οἷον φυτὸν ἢ ζῷον) @1 καὶ ὑφ’ οὗ ἡ κατὰ τὸ εἶδος λεγομένη φύσις ἡ ὁμοειδής (αὕτη δὲ ἐν ἄλλῳ)· ἄνθρωπος γὰρ ἄνθρωπον γεννᾷ· 
ΠΟΙΗΣΕΙΣ—
Geram-se a partir de uma perícia ou técnica ou arte todas as coisas que têm uma forma na lucidez (Quando falo de forma refiro-me o ser que cada coisa tem para ser o que é e à substância primeira) (ἀπὸ τέχνης (1032b.) δὲ γίγνεται ὅσων τὸ εἶδος ἐν τῇ ψυχῇ (εἶδος δὲ λέγω τὸ τί ἦν εἶναι ἑκάστου καὶ τὴν πρώτην οὐσίαν)”. A saúde na cabeça do médico é o que admite desformalização. O diagnóstico dos sintomas do doente, a despistagem de hipóteses, o quadro da etologia, a intervenção. Ou então, o projecto da casa a construir, a escolha do sítio e dos materais, a construção. Tanto a saúde como a casa estão em forma na lucidez de quem possui essas perícias e respectivas formas de intervenção. 
Mas na compreensão de um X a partir de uma determinada forma, pensa-se também, como vimos a sua peculiar forma de anulação. O modo próprio de um X ser privado de si. A forma implica sempre uma formação e uma deformação. No caso da saúde, o limite extremo que a priva é a doença. A doença e a saúde são limites extremos que têm de ser conhecidos por quem tem a forma da saúde e a sua deformação na lucidez (καὶ γὰρ τῶν ἐναντίων τρόπον τινὰ τὸ αὐτὸ εἶδος)
Ou seja, a entidade é pensada como forma e o seu oposto: privação e oposição. É o caso da saúde relativamente á doença. A presença da doença é a ausência da saúde, a saúde por outro lado é o sentido dela que existe na cabeça de quem percebe de saúde e tem o saber dela. O saudável nasce depois de ter estado doente. (τῆς γὰρ στερήσεως οὐσία ἡ οὐσία ἡ ἀντικειμένη, οἷον ὑγίεια νόσου, ἐκείνης γὰρ ἀπουσία ἡ νόσος, ἡ δὲ ὑγίεια ὁ ἐν τῇ ψυχῇ λόγος καὶ ἡ ἐπι- (5) στήμη. γίγνεται δὲ τὸ ὑγιὲς νοήσαντος οὕτως)
Imaginemos que a saúde ou estado saudavel corresponde a isto específico e concreto, que é necessário para X estar saudável que esteja neste estado particular, por exemplo, a homogeneidade de temperatura. Se assim for, a normalidade pode ser gerada por calor. O médico pensa assim e compreende sempre as coisas desta maneira por forma a intervir. Assim actua ao levar o que projecta ser a cura até às últimas consequências e é capaz de o fazer (ἐπειδὴ τοδὶ ὑγίεια, ἀνάγκη εἰ ὑγιὲς ἔσται τοδὶ ὑπάρξαι, οἷον ὁμαλότητα, εἰ δὲ τοῦτο, θερμότητα· καὶ οὕτως ἀεὶ νοεῖ, ἕως ἂν ἀγάγῃ εἰς τοῦτο ὃ αὐτὸς δύναται ἔσχατον ποιεῖν.) 
Curar é esta alteração induzida, a mudança operada, a intervenção cirurgica que sai da cabeça do médico e é materializda no doente, desformalizada da sua cabeça, posta em prática, realizada. (εἶτα ἤδη ἡ ἀπὸ τούτου κίνησις ποίησις καλεῖται, ἡ ἐπὶ τὸ ὑγιαίνειν.) O que se passa com a saúde passa-se com a construção da casa. O médico e construtor têm na cabeça a forma que se projecta sobre o mundo e permite a intervenção. (ὥστε συμβαίνει τρόπον τινὰ τὴν ὑγίειαν ἐξ ὑγιείας γίγνεσθαι καὶ τὴν οἰκίαν ἐξ οἰκίας, τῆς ἄνευ ὕλης τὴν ἔχουσαν ὕλην· ἡ γὰρ ἰατρική ἐστι καὶ ἡ οἰκοδομικὴ τὸ εἶδος τῆς ὑγιείας καὶ τῆς οἰκίας, λέγω δὲ οὐσίαν ἄνευ ὕλης τὸ τί ἦν εἶναι.)
  
O médico tem uma νόησις uma forma de compreensão do estado do doente. Projecta diversas hipóteses e intervem. A compreensão resulta do princípio e da forma. A forma da compreensão é o que está na base do projecto de intervenção. A intervenção específica e o modo de proceder é o que acontece em último lugar depois da compreensão de como se deve intervir. (ἡ μὲν ἀπὸ τῆς ἀρχῆς καὶ τοῦ εἴδους νόησις ἡ δ’ ἀπὸ τοῦ τελευταίου τῆς νοήσεως ποίησις.) E é assim também que se compreende o processo de intervenção: da compreensão à intervenção e da intervenção nas suas fases iniciais até à fase última de tratamento (ὁμοίως δὲ καὶ τῶν ἄλλων τῶν μεταξὺ ἕκαστον γίγνεται.) 
Se para se obter saúde for necessário induzir no corpo uma homogeneidade ou normalidade, pode perguntar-se como é obtível essa normalização? A resposta é: assim deste modo, por exemplo se o corpo vier a ser aquecido. E como é que isso pode ser feito? Pode ser feito desta maneira porque o corpo humano é susceptível de ser aquecido. E assim até ter procedido. (λέγω δ’ οἷον εἰ ὑγιανεῖ, δέοι ἂν ὁμαλυνθῆναι. τί οὖν ἐστὶ τὸ ὁμαλυνθῆναι; τοδί, τοῦτο δ’ ἔσται εἰ θερμανθήσεται. τοῦτο δὲ τί ἐστι; τοδί. ὑπάρ- (20) χει δὲ τοδὶ δυνάμει· τοῦτο δὲ ἤδη ἐπ’ αὐτῷ.) 
A forma de aquecer o corpo não é metê-lo no sauna ou agredi-lo ao chicote. Há um processo técnico de fricção por massagem que induz aumento de temperatura no corpo. O corpo é susceptível dessa intervenção, etc., etc..

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