terça-feira, 18 de outubro de 2011

Filosofia Antiga, protocolo: 18/10/11.


A mudança é a expressão radical do tempo. Sem tempo não há mudança. Mas sem mudança, o tempo desaparece? Ou será que o repouso, o limite da mudança, o imutável (στάσις=ἀκινησία) está fora do tempo? O que é um tempo imutável? Ou será que um tempo imutável não existe? Não terá de ser mutante? E como é mutante, opera mutações nas coisas? E é mutante ou imutável? Aristóteles diz que há um motor inamovível ou um mutante imutável. O que quererá isto dizer? 
O livro Γ, cap. I-III, da Física Aristóteles trata da κίνησις: τί ἐστι κίνησις (qual é a essência da mudança?). A conexão entre ‘mudança’ e ‘natureza’, φύσις, é explícita. “A φύσις é o princípio da mudança e da transformação” (ἡ φύσις μέν ἐστιν ἀρχὴ κινήσεως καὶ μεταβολῆς”, 200b12). A φύσις é pensada como ἀρχή. Coincide a φύσις com o ‘de onde’ (ὅθεν) vem o princípio (ἀρχή) 'da mudança' (κινήσεως)? Será o 'de onde' anterior ao princípio? Ou será antes uma outra formulação para o princípio: a origem e a proveniência


Uma coisa parece certa: se se estiver na ignorância relativamente a que é que possa ser a mudança, também se permanece na ignorância relativamente à natureza (ἀγνοουμένης αὐτῆς ἀγνοεῖσθαι καὶ τὴν φύσιν, ibid., 14). 


É, então, a κίνησις um efeito da φύσις? Será a φύσις causa da κίνησις? Qual é a essência do nexo causal entre ambos? Há só uma ‘mudança natural’ ou há outras formas de mudança? 
Algumas destas questões serão tratadas ulteriormente. Nestas linhas introdutórias, Aristóteles refere apenas algumas características primárias da κίνησις. Trata-se de um dos fenómenos que manifestam o ‘contínuo’, συνεχές. Τὸ ἄπειρον, o desprovido de limite, surge intrinsecamente no contínuo, ἐν τῷ συνεχεῖ, (ibid. 18). Mas se há uma ligação, como parece haver, ainda que implícita, entre o ilimitado e a natureza qual é o seu sentido? 


Se substituirmos 'natureza' pelo 'ilimitado', podemos dizer que também a natureza se manifesta intrinsecamente no contínuo? Qual é a característica do elo de ligação entre a natureza, enquanto o que é desprovido de limite, e a mudança que por ela, a partir dela, através dela:— ocorre? Será o contínuo o elemento comum à natureza e à mudança? 
O ἄπειρον é uma designação antiga para o princípio das coisas. Haverá alguma coincidência aqui na nomeação do ilimitado como sinónimo da φύσις? O elemento comum a caracterizar ontologicamente a mudança e a natureza seria o de ambos manifestarem continuidade, isto é, não discontinuidade. Ao dividir o divisível no contínuo não se consegue chegar a nenhuma unidade atómica. É sempre possível o atómico é divisível, o que anula a sua própria possibilidade (τὸ εἰς ἄπειρον διαιρετὸν συνεχὲς ὄν, 20). 

Em segundo lugar, para que haja mudança é necessário “em acréscimo ao que foi dito que ela é impossível sem a existência de um lugar, do vazio e do tempo [em que possa ocorrer] (πρὸς δὲ τούτοις ἄνευ τόπου καὶ κενοῦ καὶ χρόνου κίνησιν ἀδύνατον εἶναι”, ibid. 20). Para a κίνησις respirar, ela requer espaço, vazio e tempo. O que aqui fica apresentado compactamente será desenvolvido por Aristóteles até à saciedade. 
A relação entre a φύσις como ἀρχὴ κινήσεως concretiza uma das possibilidades enunciadas para a causa eficiente, tal como vimos no Livro α, da MF. Se lermos a formulação ‘de onde o princípio da mudança’ (ὅθεν ἡ τῆς κινήσεως ἀρχή) podemos identificar o ‘de onde’ com a φύσις? Depende a ἀρχή do fundamento da φύσις ou antes trata-se de uma possibilidade de instanciar o de onde. Por exemplo, a par da γένεσις, ποίησις, τέχνη, ἐπιστήμη, δύναμις, διάνοια, νοῦς. 

Sem ambiguidade podemos dizer, no entanto, que κίνησις depende da ἀρχή. O genitivo é objectivo. Se o encadeamento lógico está correcto, podemos perceber que a partir do facto da κίνησις, que testemunhamos na vida, as coisas mudam, produzem-se alterações, há transformações, mudanças, etc., etc., podemos interrogar pelo seu começo, pelo seu agente e por sua vez pela origem mais radical desse agente. A mudança tem um princípio, mas o princípio é a natureza. É de onde vem o princípio da mudança. Por outro lado, com a ajuda do Livro α podemos perceber um pouco melhor o que aqui está em causa. A formulação para a causa eficiente para além da que apresentamos é: X a ser mudado por Algo. 
Em 994a5, Aristóteles utiliza a fórmula X ser mudado por Y: X ὑπό τοῦ κινηθῆναι. Podemos compreender que a natureza não é um momento prévio à mudança e que por um contacto a determina. A mudança não é o que ocorre depois de um princípio natural, por assim dizer. Aristóteles pensa num outro registo de afectação, o da eficácia. A eficácia, a mudança ocorrida, testemunha a eficácia do agente da mudança. 
A eficiência e eficácia são pensadas como de algum modo manifestáveis, a superfície de uma profundidade que age sem nunca aparecer, mas com um efeito tremendo. A relação entre a κίνησις e a ἀρχή é assim intrínseca, entre agente e objecto de uma acção determinada. A sua orientação é vertical, se assim se pode dizer; não horizontal. O que muda é o resultado de uma mudança operada por um agente, pela natureza, ou a partir de onde quer que a mudança tenha o seu início. Por outro lado, uma mudança qualquer que seja deixa de ser um fenómeno isolado, por assim dizer, em si absoluto. O bronzeado, a convalescença, o crescimento são mudanças testemunhadas, por exemplo. 
Mas ao serem postas em relação com o agente particular que as opera, o agente da mudança, percebe-se que elas são o resultado do próprio agente. O próprio agente precisa das coisas para operar a sua mudança de outro modo, não “encosta”, não “encarna”, não “se incorpora”. O “mutante” (τὸ κινοῦν) é o agente da mudança. O mutável, τὸ κινητόν, é o ponto de aplicação do mutante: “não há mudança, para lá das próprias coisas (οὐκ ἔστι δὲ κίνησις παρὰ τὰ πράγματα)” 



κίνησις [ῑ], εως, ἡ, motion, opp. rest (στάσις), Pl.Sph.250a; opp. ἠρεμία,Arist.Ph.202a5, etc.
2. in Cyrenaic philos., λεία κ., = ἡδονή, τραχεῖα κ., = πόνος, D.L.2.86; also αἱ διὰ μορφῆς κατ’ ὄψιν ἡδεῖαι κ. Epicur.Fr.67; αἱ κ. αἱ ἀνθρωπικαί human emotions,Arr.Epict. 2.20.19.
3. dance, Ἄρεος κίνασις (sic) Tyrt.16, cf. Luc.Salt.63, Ephes.2 No.71; τραγικὴ ἔνρυθμος κ. Inscr.Magn.165.
4. movement, in a political sense, ἐν κ. εἶναι Th.3.75, cf. Plb.3.4.12; ἡ κ. ἡ Ἰουδαϊκή the Jewish revolt, OGI543.15 (Ancyra, ii A.D.); of the Peloponn. war,Th.1.1.
5. change, revolution, κινήσεις πολιτείας Arist.Pol.1268b25.
6. movement of an army, Plb.10.23.1 (pl.); πολεμικαὶ κ. Ael.Tact.3.4, cf.Arr.Tact.20.1.
b. removal, change of abode, Vett.Val.97.17 (pl.), al.
7. Gramm., inflexion, τοῦ ζῆμι κ. οὐχ εὕρηται EM410.38.
8. in Law, punitive action, βασιλικὴ κ. Cod.Just.1.3.43.10, cf. 10.27.2.7; also,setting a process in motion, PLond. 5.1663.13 (vi A.D.).
φύσις [ῠ], ἡ, gen. φύςεως, poet. φύσεος prob. (metri gr.) in E.Tr. 886, cf.Ar.V.1282 (lyr.), 1458 (lyr.), Ion. φύσιος: dual φύσει (v.l. φύση) Pl.R.410e, (φύω):
I. origin, φ. οὐδενός ἐστιν ἁπάντων θνητῶν οὐδὲ . . τελευτή Emp.8.1 (cf.Plu.2.1112a); φ. βούλονται λέγειν γένεσιν τὴν περὶ τὰ πρῶτα Pl.Lg.892c; ἡ φ. ἡ λεγομένη ὡς γένεσις ὁδός ἐστιν εἰς φύσιν Arist.Ph.193b12; φ. λέγεται ἡ τῶν φυομένων γένεσις Id.Metaph.1014b16; freq. of persons, birth, φύσει νεώτεροςS.OC1295, cf. Aj.1301, etc.; φύσι γεγονότες εὖ Hdt.7.134; φύσει, opp. θέσει (by adoption), D.L.9.25; φύσει Ἀμβρακιώτης, δημοποίητος δὲ Σικυώνιος Ath.4.183d; so ὁ κατὰ φύσιν πατήρ, υἱός, ἀδελφός, Plb. 3.9.6, 3.12.3, 11.2.2; also in acc., ἐκ πατρὸς ταὐτοῦ φύσιν S.El.325; ἢ φίλων τις ἢ πρὸς αἵματος φύσιν ib.1125, cf.Isoc.3.42.
2. growth, τριχῶν, παιδίου, Hp.Nat.Puer.20,29, cf. 27: pl., γενειάσεις καὶ φύσεις κεράτων Plot.4.3.13.
II. the natural form or constitution of a person or thing as the result of growth (οἷον ἕκαστόν ἐστι τῆς γενέσεως τελεσθείσης, ταύτην φαμὲν τὴν φ. εἶναι ἑκάστουArist.Pol.1252b33): hence,
1. nature, constitution, once in Hom., καί μοι φύσιν αὐτοῦ (sc. τοῦ φαρμάκου)ἔδειξε Od.10.303; φ. τῆς χώρης Hdt.2.5; τῆς Ἀττικῆς X.Vect.1.2, cf. Oec.16.2,D.18.146, etc.; τῆς τριχός X.Eq.5.5; αἵματος, ἀέρος, etc., Arist.PA648a21,Mete.340a36, etc.: pl., φύσεις ἐγγιγνομένας καρπῶν καὶ δένδρων Isoc.7.74; αἱ φ. καὶ δυνάμεις τῶν πολιτειῶν Id.12.134; ἡ τῶν ἀριθμῶν φ. Pl.R.525c; ἡ τῶν πάντων φ. X.Mem.1.1.11, etc.; ἡ ἰδία τοῦ πράγματος φ. IG22.1099.28 (Epist.Plotinae).
2. outward form, appearance, μέζονας ἢ κατ’ ἀνθρώπων φύσιν Hdt.8.38; ἢ νόον ἤτοι φύσιν either in mind or outward form, Pi.N.6.5; οὐ γὰρ φ. Ὠαριωνείαν ἔλαχεν Id.I.4(3).49 (67); μορφῆς δ’ οὐχ ὁμόστολος φ. A.Supp.496; τὸν δὲ Λάϊον φύσιν τίν’ εἶχε φράζε S.OT740 (read εἷρπε, taking φ. with ἔχων), cf. Tr.379;δρακαίνης φ. ἔχουσαν ἀγρίαν prob. in E.Ba.1358; τὴν ἐμὴν ἰδὼν φ. Ar.V.1071(troch.), cf. Nu.503; τὴν τοῦ σώματος φ. Isoc.9.75.
3. Medic., constitution, temperament, Hp.Aph.3.2 (pl.), al.; ἡ φ. καὶ ἡ ἕξιςId.Acut.43; φ. φύσιος καὶ ἡλικία ἡλικίης διαφέρει Id.Fract.7; φύσιες νούσων ἰητροίId.Epid.6.5.1.
b. natural place or position of a bone or joint, ἀποπηδᾶν ἀπὸ τῆς φ., ἐς τὴν φ. ἄγεσθαι, Id.Art.61, 62, al.; ὀστέον μένον ἐν τῇ ἑωυτοῦ φ. Id.VC5, al.; φύσιες τῶν ἄρθρων Id.Nat.Puer.17.
4. of the mind, one's nature, character, ἦθος ἕκαστον, ὅπῃ φ. ἐστὶν ἑκάστῳEmp.110.5; εὐγενὴς γὰρ ἡ φ. κἀξ εὐγενῶν . . ἡ σή S.Ph.874; τὴν αὑτοῦ φ. λιπεῖν, δεῖξαι, ib.902,1310; φ. φρενός E.Med.103 (anap.); ἡ ἀνθρωπεία φ. Th.1.76; φ. τῆς μορφῆς καὶ τῆς ψυχῆς X.Cyr.1.2.2; ὀνόματι μεμπτὸν τὸ νόθον, ἡ φ. δ’ ἴσηE.Fr.168; φ. φιλόσοφος, τυραννική, etc., Pl.R.410e, 576a, etc.; δεξιοὶ φύσινA.Pr.489; ἀκμαῖοι φύσιν Id.Pers.441; τὸ γὰρ ἀποστῆναι χαλεπὸν φύσεος, ἣν ἔχοι τις Ar.V.1458 (lyr.), cf. 1282 (lyr.); Σόλων . . ἦν φιλόδημος τὴν φ. Id.Nu.1187; ἔνιοι ὄντες ὡς ἀληθῶς τοῦ δήμου τὴν φ. οὐ δημοτικοί εἰσι X.Ath.2.19; φύσεως ἰσχύςforce of natural powers, Th.1.138; φύσεως κακία badness of natural disposition,D.20.140; ἀγαθοὶ . . γίγνονται διὰ τριῶν, τὰ τρία δὲ ταῦτά ἐστι φ. ἔθος λόγος Arist.Pol.1332a40; χρῶ τῇ φύσει, i.e. give rein to your natural propensities, Ar.Nu.1078, cf. Isoc.7.38; τῇ φ. χρώμενος Plu.Cor.18; θείας κοινωνοὶ φ. 2 Ep.Pet.1.4: pl.,Isoc.4.113, v.l. in E.Andr.956; οἱ ἄριστοι τὰς φ. Pl.R.526c, cf. 375b, al.: prov.,ἔθος, φασί, δευτέρη φ. Jul.Mis.353a.
b. instinct in animals, etc., Democr.278; οὐκ ἐπιστήμῃ οὐδὲ τέχνῃ ἀλλὰ φύσει Herm. ap. Stob.1.41.6; ἐν τοῖς ἄλλοις ζῴοις ἡ αἴσθησις τῇ φ. ἥνωται, ἐν δὲ ἀνθρώποις τῇ νοήσει Corp.Herm. 9.1, cf. 12.1.
5. freq. in periphrases, καὶ γὰρ ἂν πέτρου φύσιν σύ γ’ ὀργάνειας, i.e. would'st provoke a stone, S.OT335; χθονὸς φ. A.Ag.633; esp. in Pl., ἡ τοῦ πτεροῦ φ.Phdr.251b; ἡ φ. τῶν σωμάτων Smp.186b; ἡ φ. τῆς ἀσθενείας its natural weakness,Phd.87e; ἡ τοῦ μυελοῦ φ. Ti.84c; ἡ τοῦ δικαίου φ. Lg.862d, al.; ἡ φ., with gen. understood, Smp.191a, Phd.109e.
III. the regular order of nature, τύχη . . ἀβέβαιος, φ. δὲ αὐτάρκης Democr.176; κατὰ φύσιν Pl.R.444d, etc.; τρίχες κατὰ φύσιν πεφυκυῖαι growing naturally, Hdt.2.38, cf.Alex.156.7 (troch.); κατὰ φύσιν “νόμος ὁ πάντων βασιλεύς“ Pi.Fr. 169 (cf.Pl.Grg.488b); κατὰ φ. ποιεῖν Heraclit.112; opp. παρὰ φύσιν, E.Ph.395, Th.6.17, etc.; παρὰ τὴν φ. Anaxipp.1.18; προδότης ἐκ  φύσεως a traitor by nature,Aeschin.2.165; πρὸ τῆς φ. ἥκειν εἰς θάνατον before the natural term,Plu.Comp.Dem.Cic.5: freq. in dat. φύσει (ἐν φ. Hp.Aër.14) by nature, naturally,opp. τύχῃ, τέχνῃ, Pl.Lg.889b, cf. R.381b; φύσει τοιοῦτος Ar.Pl.275, cf. 279, al.; ὁ ἄνθρωπος φ. πολιτικὸν ζῷόν ἐστι Arist.Pol.1253a3; ὁ μὴ αὑτοῦ φ. ἀλλ’ ἄλλου ἄνθρωπος ὤν, οὗτος φ. δοῦλός ἐστιν ib.1254a15; φ. γὰρ οὐδεὶς δοῦλος ἐγενήθη ποτέ Philem.95.2; opp. νόμῳ (by convention), Philol.9, Archelaus ap.D.L.2.16,Pl.Grg.482e, cf. Prt.337d, etc.; τὰ μὲν τῶν νόμων ὁμολογηθέντα, οὐ φύντ’ ἐστίν, τὰ δὲ τῆς φύσεως φύντα, οὐχ ὁμολογηθέντα Antipho Soph.44 Ai 32 (Vorsokr.5); ἅπας ὁ τῶν ἀνθρώπων βίος φύσει καὶ νόμοις διοικεῖται D.25.15; τοὺς τῆς φ. οὐκ ἔστι λανθάνειν νόμους Men.Mon.492; οὐ σοφίᾳ, ἀλλὰ φύσει τινί Pl. Ap.22c; φ. μὴ πεφυκότα τοιαῦτα φωνεῖν S.Ph.79, cf. Pl.Phlb.14c, etc.; φύσει πάντα πάντες ὁμοίως πεφύκαμεν καὶ βάρβαροι καὶ Ἕλληνες εἶναι Antipho Soph.44Bii10(Vorsokr.5); φύσιν ἔχει c. inf., it is natural, κῶς φύσιν ἔχει πολλὰς μυριάδας φονεῦσαι (sc. τὸν Ἡρακλέα); Hdt.2.45, cf. Pl.R.473a; οὐκ ἔχει φύσιν it is contrary to nature, ib.489b; οὔτ’ εὔλογον οὔτ’ ἔχον ἐστὶ φύσιν D.2.26; τὸ τόλμημα φύσιν οὐκ ἔχει Polem.Call.36.
IV. in Philosophy:
1. nature as an originating power, φ. λέγεται . . ὅθεν ἡ κίνησις ἡ πρώτη ἐν ἑκάστῳ τῶν φύσει ὄντων Arist.Metaph.1014b16; ὁ δὲ θεὸς καὶ ἡ φ. οὐδὲν μάτην ποιοῦσιν Id.Cael.271a33; ἡ δὲ φ. οὐδὲν ἀλόγως οὐδὲ μάτην ποιεῖ ib.291b13; ἡ μὲν τέχνη ἀρχὴ ἐν ἄλλῳ, ἡ δὲ φ. ἀρχὴ ἐν αὐτῷ Id.Metaph.1070a8, cf. Mete.381b5, etc.;φ. κρύπτεσθαι φιλεῖ Heraclit.123; ἡ γοητεία τῆς φ. Plot.4.4.44; φ. κοινή, theprinciple of growth in the universe, Cleanth.Stoic.1.126; as Stoic t.t., the inner fire which causes preservation and growth in plants and animals, defined as πῦρ τεχνικὸν ὁδῷ βαδίζον εἰς γένεσιν, Stoic.1.44, cf. 35, al., S.E.M.9.81; Nature,personified, χάρις τῇ μακαρίᾳ Φ. Epicur.Fr.469; Φ. καὶ Εἱμαρμένη καὶ Ἀνάγκη Phld.Piet.12; ἡ κατωφερὴς Φ. Corp.Herm.1.14.
2. elementary substance, κινδυνεύει ὁ λέγων ταῦτα πῦρ καὶ ὕδωρ καὶ γῆν καὶ ἀέρα πρῶτα ἡγεῖσθαι τῶν πάντων εἶναι καὶ τὴν φ. ὀνομάζειν αὐτὰ ταῦτα Pl.Lg.891c, cf. Arist.Fr.52 (defined as τὴν πρώτην οὐσίαν . . ὑποβεβλημένην ἅπασι τοῖς γεννητοῖς καὶ φθαρτοῖς σώμασι Gal.15.3); τῶν φύσει ὄντων τὰ στοιχεῖά φασιν εἶναι φύσιν Arist.Metaph.1014b33: pl., Epicur.Ep. 1p.6U., al.; ἄτομοι φ. atoms, Democr.ap. Diog.Oen.5, Epicur.Ep. 1p.7U.; ἄφθαρτοι φ. Phld.Piet.83.
3. concrete, the creation, 'Nature', ἀθανάτου . . φύσεως κόσμον ἀγήρωνE.Fr.910 (anap.); περὶ φύσεώς τε καὶ τῶν μετεώρων ἀστρονομικὰ ἄττα διερωτᾶνPl.Prt.315c; περὶ φύσεως, title of works by Xenophanes, Heraclitus, Gorgias, Epicurus, etc.; [σοφία] ἣν δὴ καλοῦσι περὶ φύσεως ἱστορίαν Pl.Phd.96a; περὶ φ. ἀφοριζόμενοι διεχώριζον ζῴων τε βίον δένδρων τε φύσιν λαχάνων τε γένηEpicr.11.13 (anap.); so later, ἡ φ. τὸ ὑπὸ ψυχῆς τῆς πάσης ταχθέν Plot.2.2.1; τὰ στοιχεῖα τῆς φ. Corp.Herm.1.8; αἱ δύο φ., i.e. heaven and earth, light and darkness, etc., PMag.Leid.W.6.42.
4. Pythag. name for two, Theol.Ar.12.
V. as a concrete term, creature, freq. in collect. sense, θνητὴ φ. mankind,S.Fr.590 (anap.), cf. OT869 (lyr.); πόντου εἰναλία φ. the creatures of the sea,Id.Ant.345 (lyr.); ὃ πᾶσα φ. διώκειν πέφυκε Pl.R.359c, cf. Plt.272c; ἡ τῶν θηλειῶν φ. woman-kind (opp. τὸ ἄρρεν φῦλον) X.Lac.3.4: also in pl., S.OT674, Pl.R.588c,Plt.306e, X.Oec.13.9; in contemptuous sense, αἱ τοιαῦται φ. such creatures as these, Isoc.4.113, cf. 20.11, Aeschin.1.191.
b. of plants or material substances, φ. εὐώδεις καρποφοροῦσαιD.S.2.49; ὑγράν τινα φ. καπνὸν ἀποδιδοῦσαν Corp.Herm. 1.4.
VI. kind, sort, species, ταύτην . . ἔχειν βιοτῆς . . φύσιν S.Ph.165 (anap.);ἐκλέγονται ἐκ τούτων χρημάτων μίαν φ. τὴν τῶν λευκῶν Pl.R. 429d; φ.[ἀλωπεκίδων] species, X.Cyn.3.1; natural group or class of plants, Thphr.HP6.1.1(pl.).
VII. sex, θῆλυς φῦσα (prob. for οὖσα) κοὐκ ἀνδρὸς φύσιν S.Tr.1062, cf. OC445,Th.2.45, Pl.Lg.770d, 944d: hence,
2. the characteristic of sex, = αἰδοῖον, Tab.Defix.89a6 (iv B.C.), Nic.Fr.107,D.S.32.10, S.E.M.1.150, etc.: esp. of the female organ, Hp.Mul.2.143, Ant.Lib.41,Artem.5.63, PMag.Osl.1.83,324, Horap. 1.11: pl., τῶν δύο φ., of the testes,Sch.Ar.Lys.92, cf. PMag.Par.1.318.
κύλῑσις, εως, ἡ, rolling, esp. of athletes in the dust after anointing,Arist.Ph.201a18, Metaph.1065b19; opp. βάδισις, Id.Ph.227b18.
II. revolution in an orbit, Id.Cael.290a10.
III. roll, parcel, ἱματίων PSI4.428.37 (iii B.C.).
ἅλσις, εως, ἡ, (ἅλλομαι) leaping, Hp.Morb.Sacr. 17, Arist.EN1174a31, Antyll. ap.Orib.6.31.5, etc.
ἅδρ-υνσις, εως, ἡ, coming to maturity, Arist.Metaph.1065b20, Ph.201a19,Thphr.CP2.12.1:—written ἅδρ-υσις, Simp.in Epict. p.32 D.
γήρ-ανσις, εως, ἡ, a growing old, Arist.Metaph.1065b20, Ph.201a19.
μάθ-ησις, εως, ἡ, (μαθεῖν) the act of learning, getting of knowledge, πεῖρά τοι μαθήσιος ἀρχά Alcm.63; μ. οὐ καλὴν ἐκμανθάνεις S. Tr.450; ὧν μάθησιν ἄρνυμαιof which things I gain information, ib.711; μ. ἔχειν τινός E.Supp.915; ὁ χρόνος μ. δίδωσι ib.419; τὴν μ. ποιεῖσθαι περί τινος Th.1.68; ἡ περὶ τὸ ἓν μ. Pl.R.525a; μ. τέχνης BGU1021.8 (iii A. D.): in pl., νωθροὶ ἀπαντῶσι πρὸς τὰς μ. Pl.Tht.144 b, cf.R.407b; μνῆμαί τε ἰσχυραὶ καὶ μ. ὀξεῖαι faculties of learning, Id.Lg.908c;ὁπλομαχίας μ. Ephor.54 J.
2. desire of learning, ἀλλά σοι μ. οὐ πάρα S.El.1032.
3. education, instruction, Hp.Jusj., Pl.Ap. 26a; τοῦ φόβου τὴν μ. κρείττονα παρέξεσθαι X.Cyr.3.3.53; τὴν αὐλητικὴν ἤγαγον πρὸς τὰς μ. Arist.Pol.1341a32.
ἰάτρ-ευσις, εως, ἡ, = ἰατρεία, Pl.R.357c, Arist.Ph.193b14,al.
ἐντελέχ-εια, ἡ, (ἐντελής, ἔχειν) full, complete reality, opp. δύναμις, ψυχή ἐστιν ἐ. ἡ πρώτη σώματος φυσικοῦ δυνάμει ζωὴν ἔχοντος Arist. de An.412a27; ὑπὸ τοῦ ἐντελεχεία ὄντος τὸ δυνάμει ὂν γίνεται Id.GA734a30; distd. fr. ἐνέργεια, actuality,opp. activity, Id.Metaph.1050a23, Ph.257b8, cf. Ph.1.625 (ἐνδ- codd.), Plot.4.7.8; later, τὸ ᾠὸν κατὰ δύναμιν μέν ἐστι νεοσσός, κατ’ ἐντελέχειαν δὲ οὐκ ἔστινS.E.M.10.340, cf. Theo Sm.p.37 H.: confused with ἐνδέλεχεια (q.v.) by Cic.Tusc.1.10.22, Luc.Jud. Voc.10.
δύνᾰμις [ῠ], ἡ, gen. εως, Ion. ιος, Ion. dat. δυνάμι : (δύναμαι):— power, might, inHom., esp. of bodily strength, εἴ μοι δ. γε παρείη Od. 2.62, cf. Il.8.294; οἵη ἐμὴ δ. καὶ χεῖρες Od.20.237; ἡ δ. τῶν νέων Antipho 4.3.2, etc.: generally, strength, power, ability to do anything, πὰρ δύναμιν beyond one's strength, Il.13.787; in Prose, παρὰ δ. τολμηταί Th.1.70, etc.; ὑπὲρ δ. D.18.193; opp. κατὰ δ. as far aslies in one, Hdt.3.142, etc. (κὰδ δ. Hes.Op.336); εἰς δύναμιν Cratin. 172, Pl.R.458e, etc.; πρὸς τὴν δ. Id.Phdr.231a.
2. outward power, influence, authority, A.Pers.174 (anap.), Ag.779 (lyr.);καταπαύσαντα τὴν Κύρου δ. Hdt.1.90; δυνάμει προὔχοντες Th.7.21, etc.; ἐν δ. εἶναι, γενέσθαι, X.HG4.4.5, D.13.29.
3. force for war, forces, δ. ἀνδρῶν Hdt.5.100, cf. Pl.Mx.240d, Plb.1.41.2, LXXGe.21.22, OGI139.8 (ii B. C.); μετὰ δυνάμεων ἱκανῶν Wilcken Chr.10 (ii B. C.), etc.; δ. καὶ πεζὴ καὶ ἱππικὴ καὶ ναυτική X.An.1.3.12; πέντε δυνάμεσι πεφρουρημένον, of the five projecting rows of sarissae in the phalanx,Ascl.Tact.5.2,al.
4. a power, quantity, χρημάτων δ. Hdt.7.9.αʹ.
5. means, κατὰ δύναμιν Arist.EE1243b12; opp. παρὰ δ., 2 Ep.Cor.8.3; κατὰ δ. τῶν ὑπαρχόντων BGU1051.17 (Aug.).
II. power, faculty, capacity, αἱ ἀμφὶ τὸ σῶμα δ. Hp.VM14; αἱ τοῦ σώματος δυνάμειςPl.Tht.185e; ἡ τῆς ὄψεως δ. Id.R. 532a; ἡ τῶν λεγόντων δ. D.22.11: c. gen. rei,capacity for, τῶν ἔργων Arist.Pol.1309a35; τοῦ λέγειν Id.Rh.1362b22; τοῦ λόγου, τῶν λόγων, Men.578, Alex.94; δ. στρατηγική Plb.1.84.6; δ. ἐν πραγματείᾳId.2.56.5; δ. συνθετική D.H.Comp.2: abs., any natural capacity or faculty, that may be improved and may be used for good or ill, Arist.Top. 126a37, cf. MM1183b28.
2. elementary force, such as heat, cold, etc., Hp.VM16, Arist.PA646a14; ἡ τοῦ θερμοῦ δ.ib.650a5; θερμαντικὴ δ. Epicur.Fr.60, cf. Polystr.p.23 W.
b. property, quality, ἰδίην δύναμιν καὶ φύσιν ἔχειν Hp.VM13, cf.Nat.Hom.5, Vict.1.10; esp. of the natural properties of plants, etc., αἱ δ. τῶν φυομένων, τῶν σπερμάτων, X.Cyr.8.8.14, Thphr.HP8.11.1; productive power, τῆς γῆς Id.Oec.16.4; μετάλλων Id.Vect.4.1: generally, function, faculty, δύναμις φυσική, ζωική, ψυχική, Gal.10.635; περὶ φυσικῶν δ., title of work by Galen.
c. in pl., agencies, ὑπάρχειν ἐν τῇ φύσει τὰς τοιαύτας δυνάμεις (sc. the gods) Polystr.p.10 W.
d. function, meaning, of part in whole, Id.p.17 W.
e. in Music, function, value, of a note in the scale, δ. ἐστι τάξις φθόγγου ἐν συστήματι Cleonid.Harm.14, cf. Aristox.Harm.p.69M.; μέση κατὰ δύναμιν, opp.κατὰ θέσιν, Ptol. Harm.2.5.
3. faculty, art, or craft, Pl.R.532d, Arist.Metaph. 1018a30, EN1094a10,Arr.Epict.1.1.1; δ. σκεπτική the doctrine of the Sceptics, S.E.M.7.1.
4. a medicine, Timostr.7, etc.; δ. ἁπλαῖ Hp.Decent.9, Aret.CD1.4, etc.; δ. πολυφάρμακοι Plu.2.403c, Gal.13.365: in pl., collection of formulae orprescriptions, Orib.10.33.
b. action of medicines, περὶ τῆς ἁπλῶν φαρμάκων δ., title of work by Galen; also, potency, δυνάμει θερμά, ψυχρά, Id.1.672, al.
5. magically potent substance or object, PMag.Leid.V.8.12: in pl., magical powers, Hld.4.7.
III. force or meaning of a word, Lys.10.7, Pl. Cra.394b, Diog.Oen.12,Phld.Sign.31, etc.
b. phonetic value of sounds or letters, Plb.10.47.8, D.H.Comp.12,Luc.Jud.Voc.5, etc.
2. worth or value of money, Th.6.46,2.97, Plu.Lyc.9, Sol. 15.
IV. capability of existing or acting, potentiality, opp. actuality (ἐνέργεια),Arist.Metaph.1047b31, 1051a5, etc.: hence δυνάμει as Adv., virtually, ὕστερον ὂν τῇ τάξει, πρότερον τῇ δυνάμει . . ἐστί D.3.15; opp. ἐνεργείᾳ, Arist.APo.86a28, al.; opp. ἐντελεχείᾳ, Id.Ph.193b8, al.
V. Math., power, κατὰ μεταφορὰν ἡ ἐν γεωμετρίᾳ λέγεται δ. Id.Metaph.1019b33; usu. second power, square, κατὰ δύναμιν in square, Pl.Ti.54b, cf. Theol.Ar.11, etc.: chiefly in dat., [εὐθεῖα] δυνάμει ἴση a line the square on which is equal to an area, ἡ βα ἐλάσσων ἐστὶν ἢ διπλασίων δυνάμει τῆς ακ the square on BA is less than double of the square on AK, Archim.Sph.Cyl.2.9: εὐθεῖαι δ. σύμμετροιcommensurable in square, Euc.10Def.2; ἡ δυνάμει δεκάς the series 12 + 22... + 102, Theol.Ar.64.
b. square number, Pl.Ti.32a.
c. square of an unknown quantity (x2), Dioph.Def.2, al.
2. square root of a number which is not a perfect square, surd, opp. μῆκος,Pl. Tht.147d.
3. product of two numbers, ἡ ἀμφοῖν (sc. τριάδος καὶ δυάδος) δ. ἑξάς Ph.1.3, cf. Iamb.in Nic.p.108 P.; δυνάμει in product, Hero Metr.1.15, Theol.Ar.33.
VI. concrete, powers, esp. of divine beings, αἱ δ. τῶν οὐρανῶν LXX Is.34.4, cf. 1 Ep.Pet.3.22, al., Ph.1.587, Corp.Herm.1.26, Porph.Abst.2.34: sg., Act.Ap.8.10,PMag.Par.1.1275; πολυώνυμος δ., of God, Secund.Sent.3.
VII. manifestation of divine power, miracle, Ev.Matt.11.21, al., Buresch Aus Lydien 113, etc.




(25): ἔστι δὴ [τι] 
  1. τὸ μὲν ἐντελεχείᾳ μόνον, 
  2. τὸ δὲ δυνάμει
  3.  καὶ ἐντελεχείᾳ, 
  4. τὸ μὲν τόδε τι, κατ’ οὐσίαν   
  5. κατὰ τόπον, 

  1. τὸ δὲ τοσόνδε, κατὰ ποσὸν ἢ 
  2. τὸ δὲ τοιόνδε, κατὰ ποιὸν καὶ τῶν ἄλλων τῶν τοῦ ὄντος κατηγοριῶν ὁμοίως.
  3. τοῦ δὲ πρός τι 
  1. τὸ μὲν καθ’ ὑπεροχὴν λέγεται καὶ κατ’ ἔλλειψιν.
  2. τὸ δὲ κατὰ τὸ ποιητικὸν καὶ παθητικόν.
  3. καὶ ὅλως κινητικόν τε (30) καὶ κινητόν.
  4. τὸ γὰρ κινητικὸν κινητικὸν τοῦ κινητοῦ καὶ τὸ κινητὸν κινητὸν ὑπὸ τοῦ κινητικοῦ. 

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