sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Εἶδος, μορφή, στέρησις


A ‘forma‘ respira estruturalmente numa tensão contra o embargo, o cancelamento, a confiscação que é a deforma ou a 'deixa numa situação impossível'. Quando vemos peças de mobiliário expostas num grande superfície comercial ou à espera de serem recolhidas pelo lixo, não estamos perante ‘peças de mobiliário’ plenipotenciárias. Umas, somente estão em exposição, podem ser experimentadas. Não contudo, utilizadas. Outras, estão já 'fora de uso', ficaram inutilizadas, foram substituídas. Um conjunto de tábuas encostadas umas às outras é interpretado: ‘foi uma estante’. A forma está lá ainda a fazer-se sentir. Não se retraiu completamente relativamente à madeira que estruturou. A presença passada da árvore da floresta que começou por ser, das tábuas cortadas na serração, do trabalho a que foram sujeitas na marcenaria, da loja onde foram compradas. A ‘estante dos livros’ que FOI: faz-se sentir ainda presente, embora cancelada, deformada, destruída.


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