quinta-feira, 1 de março de 2018

TEMAS DE  Φ Antiga, 3ª sessão: syllabus

TEMAS DE FILOSOFIA ANTIGA
Syllabus
3ª sessão, 02-28-2018
António de Castro Caeiro

4.1. Estobeu, Ecl. 1.136, 21-137, 6
  1. ta ennoêmata não são nem algo nem uma qualidade determinada. Ser algo e ser qualidade têm a determinação de phantasmata tês psychês, são aparições da alma, mente, espírito, lucidez. 
  2. ta ennoêmeta são ideai, tal como os antigos lhes chamaram.
  3. idea é uma manifestação, o modo como algo aparece, se revela, dá mostras de si. Determinação antropomórfica das coisas. São as pessoas que se escondem e aparecem, até de repente, dão mostras de si. 
  4. ta hupoptônta as coisas que caem sob as concepções, kata ta ennoêmata são ideas. ideias de seres humanos, de seres equídeos, de um modo mais genérico, mais abrangente: de todos os seres vivos e de todos os seres de que há ideias.
    1. Obs.: subsunção, particular vs. universal, singular vs. plural, único, episódico, variado, genérico.
  5. os estoicos dizem que são irreais: an-uparktoi, de anuparcsia. Nós participamos das concepções e das declinações, oque eles chamam designações. 
    1. Irrealidade e não inexistência. 
    2. Obs.: As palavras faladas são os símbolos da experiência mental e as palavras escritas são símbolos de palavras faladas. Assim como os homens não têm a mesma escrita, também não têm os mesmos na fala, mas as experiências mentais, que eles simbolizam diretamente, são as mesmas para todos, tal como são as mesmas coisas aquelas das quais as nossas experiências são imagens semelhantes.   Ἔστι μὲν οὖν τὰ ἐν τῇ φωνῇ τῶν ἐν τῇ ψυχῇ παθημάτων σύμβολα, καὶ τὰ γραφόμενα τῶν ἐν τῇ φωνῇ. καὶ ὥσπερ οὐδὲ γράμματα πᾶσι τὰ αὐτά, οὐδὲ φωναὶ αἱ αὐταί· ὧν μέντοι ταῦτα σημεῖα πρώτων, ταὐτὰ πᾶσι παθήματα τῆς ψυχῆς, καὶ ὧν ταῦτα μοιώματα πράγματα ἤδη ταὐτά. (Arist. De intrepretatione, 16a3-7)
    3. sinais, afeções da alma, escrita, oralidade, letras, sons, sinais são os mesmos, as afecções da alma são as mesmas, as coisas são as mesmas. O que há entre situações e afecções da alma é o princípio da assimilação.


4.2 Aécio, 1. 10. 3-5
  1. Platão supõe que as ideias são substâncias separadas da matéria, que subsistem nos pensamentos e nas apresentações/ representações, phantasiai de Deus, isto é, do nous. Aristóteles deixa as formas / eidê e as ideias / manifestações não esperadas da matéria, fazendo-as existir fora de Deus. Os estóicos a partir de Zenão passaram a dizer que as ideias são concepções nossas, ennoêmata hemetera. 
    1. Obs.: ser separado ou existir na realidade. estrutura, morfologia, forma, aspecto, perspectiva como conceitos diferentes. 

4.3. Alexandre de Afrodísias, in Top. 359, 10-16
  1. Se o género existe entre as coisas que são consequência de todas as coisas, a diferença dentro do género terá uma extensão maior ao ser uma das coisas que são consequência de todos os seres. Deste modo, será mostrado que “algo” não é o género de todas as coisas, pois haveria também um género do uno / de todas as coisas que são uma ou únicas, que termia a mesma extensão que o uno ou ainda maior, se com efeito o uno se predica da concepção enquanto que o algo somente se predica dos seres somáticos e não somáticos, ams a concepção nas se predica de nenhum deles, de acordo com os estoicos.
    1. ser algo, ser uno, ser género, ser diferença genérica, predicação, ser concepção. Uma concepção, imaginação, apresentação, representação, fantasia, recordação, percepão, antecipação não existem na realidade não são “algo”, de acordo com o problema que é posto aqui por Alexandre. Uma cadeira não é uma concepção ou uma noção porque não nos podemos sentar numa noção nem numa concepção. Mas para nos sentarmos em algo como uma cadeira temos de ter a noção do que é cadeira, como é usada, como se pode ajustar ao corpo, etc.. 

4.4. Simplício, in cat. 105, 7-21
  1. Segundo os estoicas as entidades comuns são “nada”, devido à sua ignorância de que nem toda a substância é um isto aqui deste género. O sofisma do Ninguém: se alguém está em Atenas não está em Mégara. O homem (ambiguidade: a pessoa X e o homem ser humano) está em Atenas, portanto, o homem não está em Mégara. O ser humano não é alguém, pois o ser humano em geral ou comum a todos os seres humanos não é ninguém. Outra formulação: o que eu sou tu não és. Eu sou um ser humano, portanto, tu não és um ser humano. Eu e tu predicam-se de indivíduos, mas ser humano não se predica de nenhum dos seres humanos particulares. 
    1. yupostasis: existência predicada como verbo pleno de formas e géneros. 
    2. ousia, Tode ti.
    3. OUTIS, TIS, ANTHRÔPOS, EU, TU
    4. âmbito semântico: denotação, conotação, sentido e referência. 

4. 5. Sexto Empírico AM 11. 8-11
  1. definição, proposição universal: explicação do que é privativo de X. Proposição analítica formulada de maneira adequada: ser humano é um serviço dotado de logos e mortal (Def.). se há um ser que é humano, então esse ser é um ser vivo dotado de logos e mortal. 
  2. A falsa subsunção destrói a definição e  a proposição universal: os entes são bons, maus ou neutros (|Def.). Se há algo que é um ser, é ou bom ou mau ou indiferente. 

UNIVERSAIS: entidades genéricas que servem de sujeito racional e às quais se referem termos singulares como “o ser humano”.


Em Zenão os universais são meras concepções, ennoêmata. Na ontologia estoica, são entidades inexistentes, anuparktoi, não são sequer algo ou alguém, uma coisa ou uma pessoa. Em orações como o ser humano é um animal racional mortal, “o ser humano” não tem referente. Mas a análise pode ser intencional. 

Sem comentários:

Enviar um comentário