quarta-feira, 23 de maio de 2018

TFA, 22 e 24 de Maio. Sen. Ep. 58.


“O género daquelas coisas que existem no sentido habitual e que   começa a dizer-nos respeito (genus[esteorumquaecommuniter  sunthaecincipiuntad nos pertinere). “O sexto género é o daquelas   coisas que são quasecoisas, como o são o vazioo tempo   (Sextumgenuseorumquaequasisunttamquaminane, tamquamtempus). 
Noque quer que vejamos ou no que quer que toquemos, diz Platão,  não existeo que ele acha que propriamente é ser.Porquanto,estão   em fluxo e num contínuo aumento e diminuição (Quaecumque  videmusauttangimusPlatoinillisnon numeratquaeesse proprie  putatfluuntenimetinassiduademintuioneatqueadiectionesunt).” 
“Nenhum de nós é na velhice o mesmo que foi na juventude; nenhum   de nós é nesta manhã o mesmo que foi no dia anterior. Os nossos   corpos são levados como as correntes dos rios. O que quer que vejas,   corre com o tempo, nenhum dos entes que vemos permanece. Eu   próprio, enquanto digo que estas coisas se alteram, me alterei.   (Nemonostrumidem estinsenectutequifuitiuuenisnemonostrum  estidem mane, quifuitpridie. Corpora nostrarapiunturfluminum  more. Quicquiduidescurritcumtemporenihilexhisquaeuidemus  manet: ego ipse, dum loquormutariistamutatussum.).
“Isto é o que Heraclitoafirma: no mesmo rio não podemos descer e   não descer duas vezes. Permanece, com efeito o nome do mesmo rio,   mas a água trespassou. Isto é mais patente no rio do que no ser   humano, mas também a nós um curso não menos veloz nos torna   passado. E por isso me espanta a nossa loucura que amamos tempo a   coisa mais fugaz que existe, o corpo e temos medo de vir a morrer   um dia, quando cada momento presente é a morte do momento tido   anteriormente: queiras tu não temer o que um dia acontecerá,   quando está continuamente a acontecer. [hoc estquodaitHeraclitus  inidem flumenbis descendimusetnon descendimus’. Manetenim  idem fluminisnomenaquatransmissaest. Hoc inamnemanifestius  estqua inhominesednos quoquenon minusueloxcursos   praeteruehitetideoadmirordementiammostram, quodtantopere  amamusrem fugacissimam, corpus, timemusquenequando   moriamurcumomnemomentummorspriorishabitussituistu non   timerenesemelfiatquodcotidiefit!
“Eu disse sobre o ser humano matéria fluida e caduca e vulnerável a todasinfluências. Também o mundo, que é uma coisa eterna e inviolável, muda e não permanece o mesmo. Ainda que todas as coisascom efeito se comportem como se tem comportado,   comportam-se de maneira diferente de como se comportaram. Alterama ordem. [De hominedixifluuidamatéria etcaduca etomnibusobnóxiacausismundusquoqueaeternaresetinuicta  mutaturnecidem manetQuamuiseinimomniainse habeatquae  habuitaliterhabetquamhabtuitOrdinemmutat.]”.
No §6, Séneca propõe a tradução de ousiapor essentiaresnecessarianatura continensfundamentumomnium. Em 7, to oné traduzido por “quodest”. E definem-se em 8 seis modos de ser atribuídos a Platão por um amigo que Séneca deixa incógnito. 
O primeiro modo é o género.Dele dependemtodas as espécies, exquo ceteraespeciessuspensaesunt.Do géneronasce toda a divisão, na qual todas as coisas universalmente estão contidas, a quo nascituromnisdiuisio, quouniuersacomprensasunt. Em 8, as espécies são identificadas: ser humano, ser cavalo, ser cão. Relativamente a estas espécies há algo de comum que lhes serve de vínculo, aliquodomnibusuinculum. Ser animal. 
Em 12 vemos a especificação desde a diferença genérica até à diferença específica e individual no humano, que é uma diferença no reino animal: O ser humano contem em si diferenças específicas que são as diferentes nações: Gregos, romanos, persas, diferentes cores: brancos, pretos, amarelos. Há também seres singulares: Catão, Cícero, Lucrécio. O que é, então,o mais geral e não tem nada acima de si?É o princípio de todas as coisas. Todas as coisas caem sob ele: illudgenusquodestestgenerale, supra se nihilhabetinitiumrerumestomniasubillosunt
Do ponto de vista platónico, diz Séneca no §18 as coisas que propriamente são pertencem a um género determinado. São inumeráveis mas postas fora do nosso olhar: innumerabiliahaexsuntsedextra nostrumpostiaconspectum. Platão chama-lhes ideias: exquibusomniaquaecumqueuidemusfiuntetad quascunctaformantur. Mas são inmortalesinmutabilesinuiolabilies. 19:ideaesteorumquaenatura fiunt, exemplar aeternum
Se olhamos para coisas que tocamos em vista de ideias e a partir de ideias, qual é a relação que temos com ideias? Que tipo de relação há entre o paradigma eterno e as coisas que são mortais, mutáveis violáveis (18)?nosso ponto de vista acede apenas a eidê, a idos (20).
Todas as coisas são imaginárias e mostram num tempo determinado   apenas uma qualquer face. Nada há nelas que seja estável ou sólido  E nós, contudo, desejamos avidamente essas mesmas coisas, como se   estivessem sempre para ser e nós sempre na iminência de as termos.   E nós fracos e perecíveis pomos os pés em coisas vãs, mas temos   antes de enviar o espírito para aquelas coisas que são eternas: Ergo   istaimaginaria suntetad tempusaliquamfaciemferuntnihilhorum  stabilenecsolidumestetnos tamencumpimustamquamaut  sempre futura autsempre habituriInbecillifluuidiqueinteruana  constitimus: ad illamittamusanimumquaeaeternasunt
Deus permanece em todas as coisas e cuida delas de antemão. O que   ele não pode tornar imortal, porque a matéria o proibiu, defendeu da   morte e superou o defeito do corpo com a razão: versanset  prouidensquemadmodumquaeimmortaliafacerenon potuitquia  matéria prohibebatdefendata morte acrationeuitiumcorporis  uincat. (27) Todas as coisas permaneceram com efeito, não porque   são eternas, mas porque são defendidas pelo cuidado daquele que as   rege. Na verdade, as coisas imortais não requerem tutor. É o grande   artifexque conserva este mundo ao superar a fragilidade da matéria   com o seu poder: haecconseruatartifexfragilitatemmateriaeui sua   uincens.  
Cada momento é a morte do estado precedente (omnemomentum  morspriorishabitussit), o que acontece quotidianamente (quod  cotidiefit) e não uma só vez (semel), na hora da nossa morte. 
Não há nada que seja suficiente para os que estão prestes a morrer,   melhor, para aqueles que estão efectivamentejá a morrer. A cada dia,   com efeito, estamos mais próximos do último[dia]todas as horas  empurra-nos precisamente para onde temos de cair. (Nihilsatisest  moriturisimmomorientibuscotidieenimpropiusabultimo stamuset  illoundenobisdadendumest, hora nos omnisimpellit). A nossa   cegueira, “inquanta caecitatemensnostrasit”, para este facto é tal   que não percebemos que o futuro, o que está para ser, acontece   justamente agora e uma parte grande do futuro já aconteceu: hoc   quodfuturumdico, cummáxime fitetparseiusmagna iam factaest.” 

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