quarta-feira, 18 de abril de 2018

TFA, quinta-feira, 19 de Abril. Textos em análise.

       Hierocles, FE
       Afirmam que o animal dirige o primeiro impulso em direcção da própria conservação, porque a natureza o familiariza consigo mesmo desde o princípio, como diz Crísipo no livro I sobre os fins, quando sustente que a sua própria constituição e a sua consciência dela é o primeiro familiar a todo o animal. Não é verosímil, com efeito, que a natureza fizesse o animal estranho a si mesmo nem que, tendo-o produzido, não o tenha feito estranho nem familiar a si mesmo. […] Deste modo, afasta-se das coisas que lhe trazem dano e são desvantajosas e aproxima-se das que lhe são familiares. […] Como foi acrescentado aos animais o impulso, de que fazem uso para se dirigirem para o que lhes é familiar, para eles o que é conforme à natureza é ser administrado de acordo com o impulso. E uma vez que a razão foi dada aos seres racionais como o governante mais perfeito, viver segundo a razão correctamente é para eles o que é viver segundo a natureza, pois a razão sobrevém como artesã do impulso.
        (85)   Τὴν δὲ πρώτην ὁρμήν φασι τὸ ζῷον ἴσχειν ἐπὶ τὸ τηρεῖν
ἑαυτό, οἰκειούσης αὐτὸ τῆς φύσεως ἀπ’ ἀρχῆς, πρῶτον οἰκεῖον λέγων
εἶναι παντὶ ζῴῳ τὴν αὑτοῦ σύστασιν καὶ τὴν ταύτης συνείδησιν·
οὔτε γὰρ ἀλλοτριῶσαι εἰκὸς ἦν αὐτὸ <αὑτῷ> τὸ ζῷον, οὔτε ποιή-   (5)
σασαν αὐτό, μήτ’ ἀλλοτριῶσαι μήτ’ [οὐκ] οἰκειῶσαι. ἀπολείπεται
τοίνυν λέγειν συστησαμένην αὐτὸ οἰκειῶσαι πρὸς ἑαυτό· οὕτω γὰρ
τά τε βλάπτοντα διωθεῖται καὶ τὰ οἰκεῖα προσίεται. […] ἐκ
περιττοῦ δὲ τῆς ὁρμῆς τοῖς ζῴοις ἐπιγενομένης, ᾗ συγχρώμενα
πορεύεται πρὸς τὰ οἰκεῖα, τούτοις μὲν τὸ κατὰ φύσιν τῷ κατὰ τὴν
ὁρμὴν διοικεῖσθαι· τοῦ δὲ λόγου τοῖς λογικοῖς κατὰ τελειοτέραν
προστασίαν δεδομένου, τὸ κατὰ λόγον ζῆν ὀρθῶς γίνεσθαι   (10)
<τού>τοις κατὰ φύσιν· τεχνίτης γὰρ οὗτος ἐπιγίνεται τῆς ὁρμῆς.
       22.2 Cícero, De fin 3.16-19
       quando nasce o animal sente apego por si mesmo e uma inclinação não apenas para a sua própria conservação mas também para a sua própria condição e para aquelas coisas que conservam a sua própria condição. E, pelo contrário, sente estranheza por tudo o que do destrói ou por tudo aquilo que parece trazer destruição.  […] Sentimos estima por aquelas coisas que foram adoptadas  como prioritárias por natureza o facto de que não há ninguém que, tendo a possibilidade de escolher, não prefira ter todas as partes do seu corpo bem formadas e íntegras em vez de as ter diminuídas ou deformadas ainda que possa utilizá-las. 
       simulatque natum sit animal ipsum sibi conciliari et commendari ad se conservandum et ad suum statum eaque, quae conservantia sint eius status, diligenda, alienari autem ab interitu iisque rebus, quae interitum videantur adferre. […] fieri autem non posset ut appeterent aliquid, nisi sensum haberent sui eoque se diligerent. ex quo intellegi debet principium ductum esse a se diligendo. 
       22.4 Séneca, Ep. 121.5-21; 23-24



       Pois o homem sente estima por si mesmo a respeito daquela parte pela qual é homem. Então, como é possível que um bebé sinta apego à sua constituição racional se não é racional? Cada idade tem a sua própria constituição: uma coisa é o caso do bebé outra a da criança, outra a do adolescente, outra a do velho: todos eles sentem apego pela própria constituição em que se encontram. […] Os períodos da primeira infância, da infância, a adolescência e a velhice são muito diferentes. Eu fui um bebê, um menino e um adolescente sou o mesmo. Assim, ainda que cada um de mim tem a sua constituição diferente, em momentos diferentes, o apego à sua própria constituição que é a sua no momento em que é bebé não a terá quando for jovem. […] Eu ocupo-me do meu próprio cuidado. Evito a dor por respeito a quem? A mim mesmo. Ocupo-me, portanto, do meu próprio cuidado. Se levo a cabo todos os meus actos pelo meu próprio cuidado, estou a ocupar-me de mim antes de tudo o mais. […] E uma vez que todo o cuidado é pelo que está mais próximo, qualquer pessoa está confiada a si mesma. [...] Portanto, mesmo os animais jovens, quando saem do útero da mãe ou do ovo, familiarizam-se de imediato com o que lhes é hostil e evitam o que é letal. […] Não depende da experiência e não é pela prática que alcançaram o estado em que se encontram, mas devido a um desejo natural de auto-conservação. 

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