quarta-feira, 4 de abril de 2018

Temas de Filosofia Antiga (TFA), 3ª feira, 3 de Abril, 2018.

       Os estoicos supõem que o universo (to holon) e a totalidade (to pan) são coisas distintas, pois dizem que o cosmos é o universo (to holon), mas que o vazio extracósmico com o cosmos é a totalidade (to pan) e que, por isso, o universo é limitado (pois o cosmos está limitado), enquanto a totalidade (to pan) é ilimitada, pois é assim o que se encontra fora do cosmos.
       12.2 Sexto Empírico, AM, 9.331-336
       O cosmos diz-se de três maneiras, de acordo com os estoicos: o próprio deus, individualmente qualificado a partir de toda a substância, o qual é indestrutível e não gerado ao ser o demiurgo da ordenação cósmica e, segundo certos lapsos de tempo qualitativamente determinados, ao absorver em si mesmo toda a substância e gerá-la novamente a partir de si mesmo; também aplicam “cosmos” à ordenação mesma dos astros e, em terceiro lugar, ao composto de ambos. Assim, cosmos é o indivíduo qualificado peculiarmente a partir da substância da totalidade das coisas ou… um sistema composto de céu e terra e os seres naturais que há neles ou também um sistema composto e deuses e seres humanos e das coisas que se geraram para eles.
       12.3. DL. 7.137-140
       O cosmos tem uma natureza que o administra. Isto pode reconhecer-se em primeiro lugar a partir da ordem das suas partes, depois a partir da ordem em que se dão os sucessos, em terceiro lugar, a partir do facto de que cada coisa foi criado com vista a outra e que além do mais a partir de que todas as coisas possuem um uso altamente benéfico.
       12.6 Cleómades, Cael. 1.1,3-18
       Dos corpos, com efeito, uns estão vinculados por disposição, hecsei, outros por natureza, physei, por alma, psuchêi, e, outros, por alma racional, logikê psychêi. (…) A disposição é um sopro, pneuma, que retorna sobre si mesmo, pois começa a estender-se a partir das partes centrais e vai até aos limites e, tocando nas extremidades das superfícies regressa pelo caminho inverso e volta ao lugar de onde saiu da primeira vez. Este duplo percurso percorrido continuamente é próprio da disposição e é indestrutível. Às plantas deu-lhes natureza, sendo esta uma mistura de diversas capacidades: nutrição, transformação e crescimento. A alma distingue-se da natureza de três maneiras: percepção, impressão e impulso. O ser humano recebeu o privilégio da razão electiva, a qual tomou o hábito de compreender a natureza de todos os corpos e todas as coisas no seu todo.
       12.7 Fílon de Alexandria, QD (quod Deus sit immutabilis) 35-45

Nota: Estas traduções são adaptações da tradução castelhana da obra de referência do curso. 


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