sexta-feira, 18 de maio de 2018

TFA, 17 de Maio (Cont.)

AS PAIXÕES DA ALMA
25.1 DL 7.110-116
As paixões são juízos (ta pathêkriseis), pois a avareza é a suposição (hupolepsia) de que o dinheiro é algo nobre (kalon) e, de maneira semelhante, a embriaguez, a imoderação e as demais paixões. A dor é uma contracçãoirracional (lupêsustolêalogos), e as suas espécies são compaixão, inveja, ciúme, rivalidade, aflição, perturbação, desgosto, tristeza, confusão. 
MEDO 25.1 CONT.
O medo é a expectativa de um mal. Levam ao medo: alarme, hesitação, vergonha, susto, agitação, coacção. Alarme produz terror, a vergonha: má reputação, a hesitação: perante o decurso de uma acção, susto: apresentação de uma situação inabitual [súbito, repentino], agitação: medo acompanhado por alteração da voz, ansiedade: incerteza. 
APETITE, ibid.
O apetite (epithumia) é um desejo irracional, ao qual se subordinam as seguintes paixões: necessidade insatisfeita, ódio, amor pelo triunfo, ira, desejo erótico, cólera, ímpeto. Uma necessidade insatisfeita é um apetite que se dá num fracasso e que, como se encontra seperado seu objecto impõem-se e arrastar-se até ao vazio: ódio: vontade de que alguém passe mal, amor pelo triunfo: próprio de uma escola. Ira: desejo de vingança de alguém que parece ter sido injuriado injustamente. Desejo erótico: apetite que não se dá entre virtuosos, tendência para fazer amizade por causa de uma beleza manifesta. A cólera é uma ira antiga e vingativa, à espera de uma oportunidade. Ímpeto é uma ira que começa. 
DL, ibid.
 Ἡ δ’ ἐπιθυμία ἐστὶν ἄλογος ὄρεξις, ὑφ’ ἣν τάττεται καὶ
 ταῦτα· σπάνις, μῖσος, φιλονεικία, ὀργή, ἔρως, μῆνις, θυμός.ἔστι δ’ ἡ μὲν σπάνις ἐπιθυμία τις ἐν ἀποτεύξει καὶ οἷον κεχωρισμένηἐκ τοῦ πράγματος, τεταμένη δὲ διακενῆς ἐπ’ αὐτὸ καὶσπωμένη· μῖσος δ’ ἐστὶν ἐπιθυμία τις τοῦ κακῶς εἶναί τινι μετὰ προκοπῆς τινος καὶ παρατάσεως· φιλονεικία δ’ ἐπιθυμία τιςπερὶ αἱρέσεως· ὀργὴ δ’ ἐπιθυμία τιμωρίας τοῦ δοκοῦντος ἠδικηκέναιοὐ προσηκόντως· ἔρως δέ ἐστιν ἐπιθυμία τις οὐχὶ περὶ σπουδαίους· ἔστι γὰρ ἐπιβολὴ φιλοποιίας διὰ κάλλος ἐμφαινόμενον.μῆνιςδέ ἐστιν ὀργή τις πεπαλαιωμένη καὶ ἐπίκοτος, ἐπιτηρητικὴ δέ
PRAZER
O prazer é uma exaltação irracional sobre algo que parece que é elegível. Subordinam-se ao prazer: encantamento, prazer com o mal alheio, deleite, dissipação. 
Ἡδονὴ δέ ἐστιν ἄλογος ἔπαρσις ἐφ’ αἱρετῷ δοκοῦντι ὑπάρχειν,ὑφ’ ἣν  τάττεται κήλησις, ἐπιχαιρεκακία, τέρψις, διάχυσις. κήλησιςμὲν οὖν ἐστιν ἡδονὴ δι’ ὤτων κατακηλοῦσα· ἐπιχαιρεκακία δὲ ἡδονὴ ἐπ’ ἀλλοτρίοις κακοῖς· τέρψις δέ, οἷον τρέψις, προτροπή τις ψυχῆς ἐπὶ τὸ ἀνειμένον· διάχυσις δ’ ἀνάλυσις ἀρετῆς.
25.9 GALENO 
Todos os impulsos que se levam acabo, indo atrás da fúria ou do apetite, ainda que não assentem na razão, são ir-racionais

terça-feira, 15 de maio de 2018

TFA 15 e 17 de Maio

      Teoria da acção
      24.1 Estobeu, Ecl.2.86, 17-88
Dizem que o que põe o impulso (hormê) em movimento movimento (to kinoun) não é outra coisa senão a apresentação directamente impulsiva do que é devido (phantasia hormêtikê tou kathêkontos autothen). O Impulso (hormê) é, em sentido geral, um movimento da alma para algo (phora psuchês epi ti kata to genos), e considera-se que são suas espécies o impulso que se produz nos animais racionais e o que se produz nos irracionais
      Orecsis (intenção, desejo)
A orecsis (apetência, desejo, anseio, anelo), com é efeito, não é o impulso racional mas uma espécie de impulso racional, […] movimento da mente em direcção para algo no domínio da acção (phora dianoias epi ti tôn en tõi prattein)
      Aphormê (repulsão)
Repulsão, por outro lado, opõe-se ao impulso. É um certo movimento da mente que se afasta de algo no domínio da acção (phora dianoias epi ti tôn en tôi mê prattein). 
Apetição é uma espécie de impulso prático. E a apetição é um movimento da mente em direcção a algo futuro. 
      Espécies de impulso prático
Espécies de impulso prático: 
Propósito (prothesis: sêmoiôsis epiteleseôs, indicação de acabamento ou cumprimento, projecto (epibolê: hormê pro hormês, impulsão antes da impulsão), preparação (paraskeuê: pracsis pro pracseôs: acção antes de uma acção), empreendimento (enkheirêsis: hormê epi tinos en khersin êdê ontos), decisão (hairesis: boulêsis ecs analogismou, anseio a partir de uma reconsideração), anseio (boulêsis: eulogos orecsis), volição (thêlesis: hekousios boulêsis). 
      24.4 Filon, Leg. Alleg.1.30
A presentação constitui-se de acordo com a entrada do objecto externo que provoca uma impressão no entendimento através da percepção. O impulso, irmão da presentação, dá-se de acordo com a força tensional do entendimento, o qual, quando se estende através da percepção, entra em contacto com o objecto subjacente e vai até ele, tentando chegar a ele e abarcá-lo. 
      Phantasia kai hormê
Hê men oun phantasia sunistatai kata tên tou ektos prosodon tupountos noun di’ aisthêseôs, hê de hormê, to adelphon tês phantasias, kata tên tou nou tonikên dunamin, hên teinas di’ aisthêseôs haptetai tou hupokeimenou kai pros auto khôrei glichomenos ephikesthai kai sullabein auto.
      24.7 Caminhar
Clantes diz que é o espírito que se estira desde a parte condutora da alma até aos pés. Crísipo diz que é a própria parte condutora. Ambulatio: sspiritum esse a principali usque in pedes permissum, Chrysippus ipsum principale. 
      24.13 Epicteto, Ench. 2
Recorda que a promessa do desejo é a obtenção daquilo que desejas e a promessa da declinação é não te encontrares com aquilo que queres evitar. Aquele que falha no encontro com o que deseja não é feliz mas aquele que ao evitar e declinar algo se encontra com esse mesmo algo é infeliz. 
Orecsis: epangelia epitukhia hou oregê.
Ekklisis: epangelia to mê peripesein ekeinôi ho ekklinetai.
Ho men en orecsei apotunkhanôn atukhês
Ho de en ekklisei peripitôn dustukhês
Se, de entre as coisas que dependem de ti, evitas unicamente as que são contrárias à natureza, não cairás em nenhuma das coisas que evitas. Mas se evitas a doença, a morte ou a pobreza (coisas que se evita e declina mas com as quais nos encontramos e não são coisas que dependam de nós), és infeliz. Portanto, leva a tua declinação para longe de todas as coisas que não dependem de nós e muda o seu rumo para a direcção das coisas contrárias à natureza mas que dependem de nós. (aron oun tên ekklisin apo pantôn tôn ouk eph’ hêmin kai metathes epi ta para physin tôn eph’ hêmin)
Anula completamente o desejo, pois se desejas alguma das coisas que não dependem de nós, é necessário que falhes a obtenção das coisas que dependem de nós, e nenhuma das coisas que é belo desejar-se está ao teu alcance. Usa unicamente o impulso e a repulsão mas ligeiramente, isto é, com reserve e não de maneira rigorosa. 
Opondo-te a estas coisas, vencerás a phantasia, não serás arrastado por ela: oukh helkusthêsêi hup’ autês. Diz: “espera-me um pouco, fantasia, deixa que eu veja quem és e o que representas, deixa que te submeta à prova”. Hupo tês ocsutêtos mê sunarpasthêis: “ekdecsai me mikron, phantasia: aphes idô tis ei kai peri tinos, aphes se dikimasô ”
Não permitas que te leve pelo facto de que nela as coisas que se seguem aparecem perfeitamente delineadas, pois, pelo contrário, apoderando-se de ti, guiar-te-á até onde quiser. Impõe-lhe uma outra apresentação, bela e nobre, e desfaz esta sórdida. E se te acostumares a exercitar-te deste modo, verás que ombros, que tendões e que vigor se criam. […] És a pessoa que se treina, que se exercita: a que se treina a si mesma para enfrentar tais presentações. Mantém-te firme, infeliz, não te deixes arrastar! O combate é grande e a obra divina. É para bem de um reino e para bem da liberdade, do correcto fluir e da imperturbabilidade. 
μεῖνον, τάλας, μὴ συναρπασθῇς. μέγας ὁ ἀγών ἐστιν, θεῖον τὸ ἔργον, ὑπὲρ βασιλείας, ὑπὲρ ἐλευθερία ὑπὲρ εὐροίας, ὑπὲρ ἀταραξίας. 


TFA, 8 e 10 de Maio

      Platão
      O Filebo de Platão começa medias in res a fazer a pergunta pelo sentido do bem. As respostas possíveis são alternativas mas mutuamente exclusivas. Por um lado, o bem pode ser reconduzido a uma dimensão que excede a da humanidade. Partilha o bem, em comunidade, com todos os seres vivos sem excepção. O bem é identificado com a experiência do comprazer-se, τὸ χαίρειν, especificada quer como o seu objecto quer como o efeito que provoca: ἡδονή καὶ τέρψις e tudo aquilo que pertence a este género de acontecimentos (11b4-6). 
      Por outro, pelo contrário, o ἀγαθόν é determinado negativamente como não sendo nada uma experiência universal do prazer e fenómenos afins na dimensão vital da existência. Antes, o bem apenas pode ser experimentado de forma extrema na esfera estrita em que radica o potencial do humano: no φρονεῖν καὶ τὸ νοεῖν καὶ μεμνῆσθαι καὶ τὰ τούτων αὖ συγγενῆ, 11b7-8. 
      O que está presente nesta dicotomia resulta, assim, numa disjunção exclusiva que provoca uma situação indefinida. Uma situação crítica desta natureza é a que obriga ao esforço de decisão, κρίσις, com a qual o diálogo se debate. A declaração do carácter indefinido e crítico da situação obriga a quem se encontre nela a querer escolher e escolher-se, a habilitar-se a uma aquisição do bem em sentido inequívoco, βουλόμενον ἑλεῖν καὶ περὶ αὑτὸ κτήσασθαι, 20e9. Quem se encontra numa tal situação não se preocupa com nada a não ser com aquilo que tem com desfecho coisas boas, οὐδὲν φροντίζει πλὴν τῶν ἀποτελουμένων ἅμα ἀγαθοῖς, 20e10. 
      Aristóteles
      Aristóteles define em I, xiii, 1102a5, da Ética a Nicómaco, a εὐδαιμονία, τὸ δ’ εὖ ζῆν καὶ τὸ εὖ πράττειν (95a19), como “uma certa actividade da alma conformada por uma excelência completa” (ψυχῆς ἐνέργειά τις κατ’ ἀρετὴν τελείαν). Esta fórmula expande e permite compreender a εὐδαιμονία como τὸ ζητούμενον ἀγαθόν (97a15) ou na versão superlativa: τὸ δ‘ ἄριστον τέλειόν τι (97a28), isto é, o τέλος πρακτόν (97a23) para o qual tudo, sem excepção, tende: οὗ πάντ’ ἐφίεται (94a4). A responsabilidade, o fundamento, a origem e proveniência de uma tal ἐνέργεια é a ψυχή. A sua configuração é a ἀρετὴ τελεία, a excelência completa. 
      Esses acontecimentos são designados pela expressão técnica: τὰ ἐφ’ ἡμῖν. Existem pura e simplesmente sob dependência exclusiva da lucidez, em geral, e das suas actividades, em sentido estrito. Existem na nossa dependência directa e dizem-nos respeito. 
      23.2 Epicteto, Diss. 1.4.28-29
      Não é falso aquilo a partir do qual se dá o correcto fluir e a partir do qual surge a impassibilidade. 
      Euroia, apátheia
      O legislador não sabe que quer as coisas que não lhe foram dadas e que não quere as que lhe são necessárias, quer dizer não conhece nem as que lhe são próprias nem as que lhe são alheias. Se as conhecesse, nunca seria obstaculizado nem impedido e não estaria ansioso. 
      Thelei da me didomena
      Ou thelei ta anankaia 
      Ouk oiden oute ta idia oute ta allotria.
Quais são as coisas com as quais se deve preocupar? Aquelas com as quais se deve preocupar todos os dias e o dia inteiro (holên tôn hêmeran meletônta) e não se deve preocupar de maneira nenhuma com aquelas que lhe são estranhas: nem com o amigo, nem com a situação, nem com o ginásio, nem sequer ao próprio corpo. 
      Cuidar do próprio, não reclamar o que é alheio, usar o que nos foi dado. 
      Ta idia têrein, tôn allotriôn mê antipoieisthai, alla didomenois men chrêsthai
      Por isso quem não está disposto assim, não é indiscreto nem intrometido, pois quando cada um examina os assuntos humanos, não se está a intrometer no que é alheio, mas apenas no que lhe é próprio. 
      As que não são próprias: podem ser impedidas, arrebatadas e necessárias
      Ta men kôluta kai aphaireta kai anankasta
      As que são próprias não podem ser impedidas: ta d’ akôluta idia
      A essência do bem e do mal, como era digno de quem cuida de nós e protege paternalmente localizou-as em nós. Há um só caminho até ao correcto fluir: tem-no à mão desde o amanhecer e durante a noite: afastar-se de tudo o que não depende da nossa escolha, não considerar nada como próprio, entregar tudo à divindade e à ventura, fazer de cuidadores de tais coisas aqueles que Zeus produziu para si próprio, dedica-te tu mesmo a uma única coisa: ao que te é próprio e é livre de impedimento. 
      23.3 Estobeu, Ecl.
      Antípatro sobre a virtude e a felicidade humana: viver escolhendo continuamente as coisas segundo a natureza e preterindo as coisas contrárias à natureza: fazer tudo por si mesmo, de forma contínua e sem alteração para alcançar as coisas que são preferidas segundo a natureza.
      Eklegein ta kata physin, apeklegein ta para physin
      Pan to kath’ hauton poiein diênekôs kai aparabatôs pros to tunkhanein tôn proêgoumenôn kata physin
      Fim diz-se de três maneiras: 
      O bem final é o fim de acordo com um uso académico como quando dizem concordância é um fim
      Meta: a vida concordante
      Fim: objecto último de desejo, aquel ao qual tudo o demais se refere.
      Meta é o corpo proposto a que as pessoas aspiram alcançar, mas todos os projectam na felicidade, porque todo o excelente é feliz e o vil é infeliz. 
      Telos/skopos
      Homologia
      Homologoumenos bios
      Telos: to esckhaton tôn orektôn, eph’ ho panta ta alla anapheresthai


TFA, 3 de Maio

TFA
Círculosde Hiérocles
20.20 Hiérocles, em EstobeuEcl. 4.671, 7.673, 11 (LS 57G)
Depois de se ter falado sobre a conduta a ter com pais, irmãos, esposa e filhos, importa acrescentar também uma discussão sobre os parentes que, em certo sentido, são afectivamente sentidos como os primeiros e, por isso mesmo, pode expor-se de um modo sucinto. Com efeito cada um de nós está completamente rodeado por muitos círculos, uns mais pequenos e outros maiores, estes últimos incluem os primeiros e cada círculo é incluído, de acordo com as relações recíprocas, diferentes e desiguais. 

O primeiro círculo e mais próximo, com efeito, o que alguém desenhou em torno de um centro é a mente de si próprio. Neste círculo estão incluídos não apenas o corpo, mas também as coisas que se tomam em vista do corpo. Poies este círculo é virtualmente o mais pequeno, quase que toca o centro de si mesmo. 

O segundo círculo é o que se afasta mais deste círculo e do centro, mas inclui o primeiro, no qual se encontram os pais, irmãos, mulher e filhos. O terceiro é aquele no qual se encontram tios e tias, avós, sobrinhos, sobrinhas e primos. 

O seguinte círculo inclui os demais parentes, e a este segue-se o círculo das demais pessoas do povoado, depois deste de dos círculos da tribo, vem o dos concidadãos, para vir depois finalmente o círculo das cidades vizinhas e os da mesma etnia. O círculo mais exterior e o maior, que inclui a todos os demais círculos, é o de todo o género humano. 

• É possível começar com o círculo mais amplo para reunir de certo modo os círculos, em relação com a conduta que se deve a cada um, como em direcçãoa um centro, e transferir sempre diligentemente os círculos desde os que são inclusivos até aos que estão incluídos. 

No que respeita a amar a própria família, é possível amar pais e irmãos. E, portanto, segundo a mesma proporção, também entre nossos parentes devemos tratar os mais velhos e velhas como avós, tios e tias o dos da mesma idade como primos e os mais jovens como filhos dos primeiros. Daqui resulta que há uma recomendação clara de como devemos comportarmo-nos com os parentes, uma vez que aprendemos a comportar-nos connosco mesmos e com os nossos parentes e irmãos e mais ainda com a nossa mulher e filhos. 

Acrescente-se a isto que temos de honrar igualmente os que procedem do terceiro círculo como os do segundo círculo e de novo, os nossos partes do mesmo modo, pois ainda que haja uma grande distância sanguínea, que pode eliminar o efeito da afectividade, devemos esforçarmo-nos, não obstante, por assimilar-nos. Pois pode acontecer com a nossa iniciativa encurtar a distância da relação que temos com qualquer pessoa. 

Não obstante, acrescentar a esta medida também de acordo com o uso que fazemos das denominações e chamar irmãos aos nossos primos, tios e tias, pais e mães, e entre os nossos parentes, uns são tios, outros sobrinhos, outros primos, como se os assuntos da idade o permitissem em vista da assiduidade dos nomes. Poies este modo de chama-los (…) suscitaria e intensificaria a já indicada contracçãodos círculos. 
23. DL 7.87-89
Fimé viver de acordo com a natureza, o qual não é senão viver segundo a virtude.  Diz Zenão. E Crísipodiz que viver segundo a virtude é viver segundo a experiência das coisas que ocorrem por natureza, pois as nossas naturezas são partes da natureza do todo. 
Τέλος
τὸὁμολογουμένωςτῇφύσειζῆν
κατ’ ἀρετὴνζῆν
Τκατ’ ἐμπειρίαντῶνσυμβαινόντωνζῆν
Μερὴγάρεἰσιναἡμέτεραιφύσειςτῆςτοῦὅλου
23.1 DL 7.87-89
Viver em coerência com a nautrezaé o fim, o qual consiste em viver tanto de acordo com a proóprianatureza como com a do todo e não fazer nada que a lei universal costuma proibir. A lei universal é a rectarazão que discorre através de todas as coisas e é o mesmo que Zeus, o reitor da adminstraçãodas coisas existentes.  
A virtude do homem feliz é o correctofluir da vida, quando faz tudo de acordo com a harmonia da divindade em cada um de nós e o desejo do administrador do universo. O fim consiste em raciocinar bem na selecçãodas coisas segundo a natureza (Diógenes), viver a cumprir todos os actosdevidos (Arquedemo). A natureza em conformidade com a qual devemos viver é a universal e a propriamente humana (Crísipo).
Νομὸςκοινός
Λόγοςὀρθός
Διὰπάντωνἐρχόμενος
Καθηγεμώντῆς τῶν ὄντων διοικήσεως 
Εὔροια βίουὅτανπάντα πράττηταικατὰτὴνσυμφωνίαντοῦπαρ’ ἑκάστῳδαίμονοςπρὶοςτὴντοῦτῶνὅλωνδιοικητοῦβούλησιν
Τεὐλογιστεῖνἐντῇτῶνκατὰφύσινἐκλογῇ

Sexta-feira, 18 de Maio na FLUL, Sala B 7 (SIFG) "Tópicos de filosofia e literatura em Séneca".

Apreciados socios y socias de la SIFG,

El viernes 18 de mayo de 2018 se celebrará, en la Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Sala B 7, el Seminario de Filosofía Griega de la SIFG, con el título "Tópicos de filosofia e literatura em Séneca". El programa es el siguiente:
  • 09:30: El arte de leer: lectura provechosa, creativa y transformadora en las cartas a Lucilio de Séneca (Francesc Casadesús, Universitat de les Iles Balears).
  • 10:15: Ontologia Com e Sem Tempo (António de Castro Caeiro, Universidade Nova de Lisboa).

    11:00:Razón, conocimiento y destino en el Edipode Séneca(Ignacio Pajón Leira, Universidade Complutense de Madrid).
  • 11:45: Discussão
  • 13:00: Encerramento. 
Na epístola 54 (Sen. Ep. 58), Séneca revê alguns dos conceitos fundamentais da ontologia aristotélica e platónica. Analisa os “seis modos” em que o “ser se diz”. Em causa não está apenas uma tradução para latim que veio a conformar o nosso acesso ao pensamento clássico grego. É de uma interpretação que se trata. De facto, o que está mais distante de “to on”, a substantivação do neutro do particípio presente do verbo “einai” do que a interpretação “quod est”. Mas a articulação subordinativa: genus, species, em “divisiones”  só pode descer até aos “singuli”. São os “singuli” dependentes das “speciei” e dos “genus”? Existem independentemente? E o acesso a cada indivíduo singular é dado em si ou através de uma “idea”, concebida como “exemplar aeternum”. A relação intrínseca entre alguém, a sua “facies”, a sua “imitatio”, implica a identificação de um “idos” (eidos). O pensamento da complexificação articula: ratio essendi e ratio cognoscendi. O interessante da epístola 58 é o facto de trazer o tempo como o operador dinâmico que arranca à sua dimensão estática o que podemos chamar com Kant uma determinação matemática. O que é, o género, a espécie, o indivíduo, o aspecto, a manifestação aqui e agora do que quer que seja, tudo está submetido à estrutura original do tempo: omne momentum sit mors prioris habitus (Ep. 58, §23.).

TEMAS DE FILOSOFIA ANTIGA. 3ª SESSÃO. HANDOUT

3ª sessão. Handout. 19 de Feveiro, 2019 Sen. Ep. 58. 6.  Quomodo dicetur ο ὐ σία res necessaria , natura continens fundamentum o...