quinta-feira, 1 de março de 2018

MESTRADO - QUESTÕES DE ÉTICA, 1ª SESSÃO: SYLLABUS

QUESTÕES DE ÉTICA
(IIº Ciclo)
1ª SESSÃO
2º semestre 2017-2018
António de Castro Caeiro 

22-02-2018: Schmitz: sentimento e pressentimento: as estruturas fundantes da Ética.
01-03-2018: Aristóteles: o conceito de ética (EN II, III), 
08-03-2018: Aristóteles: phronesis (EN VI)
15-03-2018: Platão: o conceito de bem (FÉDON), 
22-03-2018: Platão: o conceito de escolha (RÉPUBLICA X)

29-03-2018: Férias da Páscoa

05-04-2018: Estóicos: o conceito de ética: Teoria da acção
12-04-2018: Estóicos: Felicidade e fim último
19-04-2018: Kant: o conceito de ética sob a égide da pergunta “que devo fazer?”
26-04-2018: Kant: Achtung vors Gesetz (Crítica da Razão Prática)
03-05-2018: Scheler: o conceito formal de ética (Formalismus), o conceito de pessoa
10-05-2018: Wittgenstein: o conceito de ética (Uma conferência sobre ética)
17-05-2018: Wittgenstein: o conceito de ética (Uma conferência sobre ética) (Cont.)
24-05-2018: Heidegger: desconstrução do conceito de ética (SuZ: Gewissen)
???????????: Heidegger: desconstrução do conceito de ética (SuZ: Gewissen) (Cont.)

BIBLIOGRAFIA


ARISTOTELES, & Bywater, I. (1988). Aristotelis Ethica Nicomachea. Oxford: Clarendon Press.
ARISTÓTELES (2004). Ética a Nicómaco. Introdução, tradução e notas de António de Castro Caeiro. Lisboa: Quetzal.

BOERI, M. D., & SALLES, R. (2014). Los filósofos estoicos: ontología, lógica, física y ética traducción, comentario filosófico y edición anotada de los principales textos griegos y latinos. Santiago de Chile: Ediciones Alberto Hurtado. (LFE)

Heidegger, M. (1977). Sein und Zeit. Frankfurt am Main: Vittorio Klostermann.
Heidegger, M. & Castilho, F. (2012). Ser e Tempo. Tradução e organização de Fausto Castilho. Petrópolis: Editora Vozes.

Kant, I., Klemme, H., & Brandt, H. D. (2003). Kritik der praktischen Vernunft. Hamburg: F. Meiner.
Kant, I., & Morão, A. (2008). Crítica da razão prática. Lisboa: Edições 70.

PLATO, Burnet, I., & Duke, E. A. (1995). Tetralogias I - II continens: insunt Euthyphro, Apologia, Crito, Phaedo, Cratylus, Theaetetus, Sophista, Politicus. Oxonii: Clarendon.

Scheler, M. (1980). Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik: neuer Versuch der Grundlegung eines ethischen Personalismus. Bern: Francke.
Scheler, M., & Gandillac, M. D. (1955). Le formalisme et éthique et léthique matériale des valeurs: essai nouveau pour donder un personalisme éthique. Paris: Gallimard.

Schmitz, H. (2005). System der Philosophie. Praktische Philosophie. Bonn: Bouvier.

Wittgenstein, L. (1970). Ludwig Wittgenstein: Das blaue Buch: eine philosophische Betrachtung. Frankfurt am Main: Suhrkamp.
AZEVEDO, L. & CARVALHO, M.J. (2015). Uma conferência sobre Ética. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.


1. Danach sind Gefühle überhaupt nicht subjektiv im Sinne von Seelen- oder Bewusstseinszuständen, sondern als überpersönliche, ergreifende Mächte oder Atmosphären räumlich ergossen und so dem phänomenalen (nicht dem physikalischen), leiblich spürbaren Wetter oder Klima vergleichbar, zugleich aber deutlich unterscheidbar vom affektiven Betroffensein einzelner Subjekte, die durch sie leiblich heimgesucht werden. (Schmitz 2005, 21) Por conseguinte, em geral os sentimentos não são subjectivos no sentido em que são estados da consciência ou da alma, mas antes Potências / poderes ou atmosferas supra-pessoais que agarram inundando espacialmente e assim sã comparáveis aos fenómenos meteorológicos e climáticos. Ao mesmo tempo , porém, distinguem-se claramente da susceptibilidade afectiva dos sujeitos individuais, quando estes são visitados em carne e osso pelos sentimentos. 

Obs.: determinação sentimento como disposição (Stimmung, mood). A comparação é feita com fenómenos meteorológicos. A nossa relação com o clima, o ambiente, a temperatura, a humidade é total: física e anímica. O tempo meteorológico é determinado de uma forma maciça. Assim, podemo-nos dar bem ou mal num determinado clima, tempo, hora do dia, dia da semana e estação do ano. Os fenómenos sentimentais são de natureza climática e ambiental, afectam-nos a vida inteira, não são localizados em parte nenhuma do corpo e afectam o corpo na sua totalidade. μετέωροςον, Ep. μετήορος (q.v.), (είρωraised from off the ground

2. Zeugnis des Gefühls, Stimme des Gefühls als: „wetterwendisch“. Die Gefühle bedarfen bildender Stabilisatoren. […] Evidenzen des Gefühlslebens sind sowohl notwendige als auch zureichende Bedingungen für Evidenzen über Recht und Unrecht (Und ich füge hinzu über Sitten und Ethik). (Schmitz 2005, 22) Testemunha do sentimento, voz do sentimento: “muda como o tempo”. Os sentimentos necessitam de estabilizadores constitutivos. […] As evidências obtidas a partir dos sentimentos são condições tanto necessárias como evidentes para as evidências em matéria do que é legítimo e do que é ilegítimo (E eu acrescento aqui em matéria moral e ética).

3. Affektives Begroffensein ist Betroffensein durch Gefühle oder durch leibliche Regungen. Diese sind im Gegensatz zu Gefühlen örtlich umschrieben. Wenn das affektive Betroffensein eines Menschen bloß ein Betroffensein von leiblichen Regungen wie Hunger, Durst, Wollust, Schreck, Frische, Müdigkeit wäre, würde sich jede daraus zu schöpfende Evidenz auf örtlich umschriebene Gegenstände beziehen. (Schmitz, 2005, 23) A susceptibilidade afectiva é susceptibilidade constituída por sentimentos ou então estímulos corporais. Estes, porém, são, contrariamente aos sentimentos, circunscritos localmente [no corpo]. Se a susceptibilidade do humano fosse apenas susceptibilidade de ser afectado por estímulos somáticos como a fome, a sede, a volúpia, o susto, a frescura ou o cansaço, cada evidência que pode ser exaurida deles, relacionar-se-ia com objectos circunscritos localmente. 

4. Das ergibt sich aus dem unzweifelhaften Vorkommen von Gefühlen mit dieser Eigenschaft. Unter diesen ragen Zorn und Scham hervor. Im Zorn über einen Schaden liegt die Evidenz, daß dabei Unrecht geschehen ist, in der Scham die Evidenz, daß der Beschämte im Unrecht ist; ob man mit Zorn oder mit Scham reagiert, hängt oft davon ab, ob man sich im Recht oder Unrecht glaubt. (Schmitz, 2005, 23): στω δ ργ ρεξις μετ λύπης τιμωρίας φαινομένης δι φαινομένην λιγωρίαν ες ατν τν ατο, το λιγωρεν μ προσήκοντος. Arist. Rhet. 1378a30-32. Tal resulta do acontecimento insusceptível de dúvida de sentimentos com esta qualidade. Entre estes destacam-se a ira e a vergonha. Na ira por causa de uma lesão nociva reside a evidência de que há aí uma injustiça, na vergonha a evidência de que quem foi envergonhado sente a injustiça. Se reagimos com ira ou vergonha, isso depende se achamos que temos razão ou não.

5. Sittliche Zorn: Phänomen des Gewitters in der moralischen Welt erhaben, majestätisch in seinen Formen: durch die Plötzlichkeit, Unmittelbarkeit, Heftigkeit seines Ausbruchs, das orkanartige, elementare, alles vergessende und alles vor sich darnieder werfende Walten der sittlichen Kraft; und wiederum versöhnend und erhebend zugleich durch seine Impulse und seine Wirkungen- eine moralische Luftreinigung für das Subjekt wie für die Welt. (Ihering 1872). A ira moral: O fenómeno da tempestade elevado ao mundo moral de forma majestática nas suas formas: através do carácter repentino, imediato, da violência da sua erupção, o poder da força moral ciclónico, elementar que tudo esquece e tudo depões a seus pés; e por sua vez simultaneamente reconciliador e elevado através dos seus impulsos e efeitos: uma purificação da atmosfera moral para o sujeito tanto quanto para o mundo. 

6. Seine Unruhe empfängt von keinem fest vorliegenden Schema- wie die Wollust- das Mass ihrer Sättigung und wird bei Annäherung an diese keineswegs von der Ruhe, die damit bevorsteht, allmählich gedämpft; im terminalen Racheakt gipfelt vielmehr die Heftigkeit des Zorns, und doch weiß dieser damit sein Ziel zu finden und auf seinen Ursprung, die erlittene Kränkung, jeweils eigenartig abzustimmen. Er ist also von sich her darauf aus, sich zu überwinden und aufzuheben. In dieser spontanen, jeweils neuen und subtilen Prägsamkeit durch eine auslösende Konstellation kommt dem Zorn kaum ein anderes Gefühl gleich. (Schmitz, 2005, 27) O seu desassossego não aceita de nenhum esquema rígido- tal como também a volúpia também não- a medida da sua satisfação. E não é nunca gradualmente abafado na aproximação à satisfação pelo sossego que aí está iminente. No acto terminal da raiva, a violência da ira chega a um ponto culminante e, todavia, esta sabe encontrar o seu objectivo e a sua origem, ao conciliar-se de cada vez com a ofensa sofrida. A ira está por isso comprometida com a sua superação e supressão. Nenhum outro sentimento se aproxima da ira nesta sua propensão espontânea, subtil e sempre nova, através de uma constelação desencadeadora.   

7. Scham als Rückschlag der Initiative. Lautlos und unsichtbar greift diese Macht an, bloß durch Schweigen und Nichtachtung, aber dieses Gericht über die Ungehörigkeit der Initiative vollstrekt sein stummes Urteil so mächtig, daß die Beschämte schon zusammengebrochen und vor sich selbst vernichtet ist… dass es sich um eine Exekution handelt. Ähnliches widerfährt dem Menschen, der einem anderen seine Liebe angeboten hat und an dessen Reaktion feststellen muss, dass dieses Angebot in die Beziehung zwischen beiden nicht hineinpaßt und verständnislos abgetan wird. (Schmitz, 2005, 35). Eine Art Entblössung.  A vergonha é o reverso de uma iniciativa. Esta potência ataca silenciosa e invisivelmente através do silêncio e da desatenção. Mas este tribunal sobre a impertinência da iniciativa estende o seu juízo mudo de forma tão poderosa, que quem é envergonhado já colapsou e para si é como se tivesse acabado, de tal sorte que é como se se tratasse de uma execução. Algo semelhante experimenta a pessoa a quem uma outra declara o seu amor e em cuja reacção é obrigada a verificar que esta declaraçãoo na relação entre ambos é desadequado e é incompreensivelmente desfeito. Uma espécie de nudez.

Obs.: a partir de um conto de Kafka, Recrutamento Militar, a respeito de uma criada que se quer alistar.

8. Scham entsteht, wenn eine Initiative, durch die ein Mensch aus dem Schneckenhaus unauffälliger Normalität heraustritt, sich als ungehörig erweist, indem sie in den Gegenstoß einer ergreifenden Macht, der der Betroffene schutzlos ausgeliefert ist, umschlägt; sie ist diese Macht. Als Atmosphären und ergreifende Mächte habe ich die Gefühle überhaupt bestimmt. (Schmitz, 2005, 38) A vergonha surge, quando uma iniciativa através da qual uma pessoa sai da sua casca de normalidade não saliente, se apresenta como impertinente, na medida em que esbarra no embate de uma potência agressiva que abandona quem foi atingido sem protecção. A vergonha é esta Potência. Enquanto atmosferas e potências agressivas foi como determinei em geral os sentimentos. 

9. Erst an der verletzten Ehre läßt sich ablesen, was Ehre ist; 48 erst bei einer Verletzung vom ersten, zentralen Typ, die gleichsam das nackte Selbst angreift, steht die Ehre auf dem Spiel. Daher der alte Spruch: „Ehre verloren, alles verloren“. Der Germane wie der Beduine setzen die Ehre über das Leben. Da das Subjekt nicht eine Seele, sondern wesentlich leiblich ist, werden Kränkungen der Ehre als zentrale Anfechtungen wie leibliche Schäden gespürt: Eine Ohrfeige schmerzt mehr als eine Wunde; ein Schimpf tastet an, tut weh und sticht „fast dinglich“. (Schmitz, 2005, 51) Apenas na honra ferida se consegue ler aquilo que é honra. Apenas numa ofensa deste tipo central e primeira, que ataca o si próprio nu, a honra está em jogo. Daí o velho dito: honra perdida, tudo perdido. O alemão como o beduíno põem a honra acima da vida. Uma vez que o sujeito não é uma alma, mas essencialmente corpo, as ofensas à honra são sentidas como contestações centrais como danos físicos: uma chapada dói mas que uma ferida: uma ofensa verbal atinge, dói e pica quase objectivamente. 

10. Die phänomenologische Analyse der Scham betraf (§ 172 c) nur die akute, vollendete Scham, die mit katastrophaler Gewalt als „Gefühl gänzlicher Vernichtung“  den Menschen heimsucht. […] Wer sich schämt, etwas zu tun, empfängt durch diese Scham eine Anleitung, sich so rechtzeitig zurückzuhalten, daß die katastrophale Scham im Sinne von § 172 c gar nicht erst über ihn hineinbricht. In dieser warnenden Scham zeichnet die katastrophale sich als Drohung ab, ohne den Menschen schon direkt heimzusuchen; vielmehr wird dieser dann unmittelbar von warnender und durch diese hindurch bloß mittelbar von noch erst lauernder katastrophaler Scham ergriffen. Er spürt durch die erste, die ihn schon im Griff hat, die zweite bereits durch, aber so fern, daß er der Gefahr noch entkommen kann, wenn er der Warnung folgt. In diesem Sinn ist warnende Scham ein Vorgefühl der katastrophalen. (Schmitz, 2005, 64) A análise fenomenológica da vergonha visou apenas a vergonha total e aguda, que, com poder catastrófico, invade o ser humano como sentimento de uma destruição total. […] Quem sente vergonha de fazer alguma coisa recebe através desta vergonha uma orientação para se conter no momento adequado, para que a vergonha catastrófica não irrompa. Nesta vergonha de advertência delineia-se a vergonha catastrófica como uma ameaça, sem afligir directamente o ser humano. Antes, o ser humano é de forma imediata agarrado pela vergonha de advertência e através desta apenas atacado de forma não imediata pela vergonha catastrófica que apenas está à espreita. O ser humano pressente através da primeira forma de vergonha, que já o agarrou, que a segunda já aí está preparada, mas apenas na medida em que ainda consegue escapar ao perigo, no caso de seguir o aviso da vergonha de advertência. Neste sentido a vergonha de advertência é um pressentimento da vergonha catastrófica.  

11. Vorgefühle sind bisher nur als Vorzeichnungen prospektiv hemmender Meidung der unmittelbaren Ergriffenheit von gewissen lauernden Hauptgefühlen betrachtet worden. Es gibt aber Vorgefühle von wesentlich anderer Art. […] Solche Vorgefühle sind die Sympathiegefühle – Mitfreude und Mitleid. [Keineswegs] ein Akt des Nachfühlens ist Voraussetzung zu Mitleid und Mitfreude. […] Das Hauptgefühl von sich aus durchs das Sympathiegefühl hindurch zu dem von diesem Ergriffenen hinüberschlägt und ihn insofern mittelbar ergreift. (Schmitz, 2005, 67) Pressentimentos têm sido considerados até agora apenas como pré-configurações de formas prospectivas de evitar ataques imediatos de alguns sentimentos fundamentais que estão à espreita. Há, porém, pressentimentos de fundamentalmente diferentes. […] Tais pressentimentos são sentimentos de simpatia alegria partilhada e compaixão. Não é o sentimento ulterior o pressuposto da compaixão e da alegria partilhada. […] O sentimento primordial, a partir de si, através do sentimento de simpatia, recai em quem é captado por ele e ataca-o de forma não imediata.


NOTA: As traduções foram feitas ad-hoc. Não estão revistas. Por isso, peço para que não sejam citadas.

TEMAS DE FILOSOFIA ANTIGA, 1ª SESSÃO: SYLLABYUS

Temas de Filosofia Antiga
1ª sessão

António de Castro Caeiro 

Bibliografia

ARNIM, H. V. (2016). STOICORUM VETERUM FRAGMENTA: chrysippi fragmenta logica et physica. S.l.: WIPF & STOCK . (SVF)

BOERI, M. D., & SALLES, R. (2014). Los filósofos estoicos: ontología, lógica, física y ética traducción, comentario filosófico y edición anotada de los principales textos griegos y latinos. Santiago de Chile: Ediciones Alberto Hurtado. (LFE)

HUELSER, K. (1987). Die Fragmente zur Dialektik der Stoiker: neue Sammlung der Texte mit deutscher Übersetzung und Kommentaren. Stuttgart: Frommann-Holzboog. (FDS)

LONG, A. A., & SEDLEY, D. N. (1988). The Hellenistic philosophers. Translations of the principal sources with philosophical commentary.

Filosofia de acordo com os fragmentos estoicos

1.1 Aécio 1, proémio 2 (SVF 2.35; LS 26A, FDS 15): Articulação da filosofia em partes não isoladas mas articuladas umas com as outras.

1.2 DL 7.39-41 (SVF 1. 45-46; 2. 37-38 E 2. 41; LS 26B; FDS 1):
Tripratição. Articulação em eidê e genê. Assimilação da filosofia a um animal, ser vivo: A lógica: ossos e tendões, a ética à carne e a física à alma humana. Assimilação a um ovo: lógica: casca, ética à clara, física à gema. Assimilação a um campo fértil: lógica é a cerca envolvente, a ética é o produto, a física, a terra, as árvores. Assimilação a uma cidade bem murada e gerida com a razão.

1.3. Plutarco, SR (De Stoicorum Repugnantiis) 1035A (SVF 2. 42; LS 26C; FDS I 24): Hierarquização dos estudos: primeiro lógica, depois éticaq, finalmente física. As questões limite são sobre o sentido e a compreensão da possibilidade divina e dos deuses.

1.4 Cícero, De fin. 3.74: composição admirável e incrível desta disciplina



1.5 Estobeu, Ecl. (Eclogae physicae et ethikae) 2.8, 13-18 e
1.6 Eusébio, PE (Preparação Evangélica) 15.62.7-14: articulação relativamente ao humano: diz-nos respeito, não nos diz respeito nenhum, está sobre ou para além de nós. Ética, lógica, física.

Capítulo 2
Género supremo e a sua primeira divisão: corpos incorpóreos

2.1 Sen. Ep. 58.11-15: to on/ quod est, genus, species, genus primum, genera specialia: homo, homens particulares. Corpus: animantia/inanima; animantia: animus/anima: impetum habent, incedunt, transeunte.

2.2 Alexandre de Afrodisias, in Top. 301, 19-302, 4-18

2.3. DL 7.135

Corpo, três dimensões: altura, largura e profundidade. O sólido é corpo.

TEMAS DE Φ Antiga, 2ª sessão: syllabus

TFA 2ª sessão
O género supremo e a sua primeira divisão: corpóreos e incorpóreos
  • 2.1 Séneca. Ep, 58. 11-15
As subdivisões do género do corpo ou do ser
  • 3.1 Simplício, in cat. 66, 32-67, 8: os quatro géneros
  • 3.7 Simplício, in cat. 48, 11, 49, 9: qualidade, substância, indivíduo, constituição qualitativa superveniente e determinação categorial
Excurso: as categorias em Aristóteles:

1 Substância (οὐσία, ousia, essência, entidade). Formulada pela pergunta “o que é que é?”
2 Quantidade  (ποσόν, poson, qual é a quantidade? Quantos são? De que tamanho é?).
3 Qualificação or qualidade (ποιόν, poion, de que tipo é X? Como é? )
4 Relação (πρός τι, pros ti, “Por relação com o quê X e Y estão ligados? A partir de que ponto de vista?”). 
5 Espaço, lugar ποῦ, pou, “onde?”). 
6 Tempo, quando (πότε, pote, “quando? durante quanto tempo?”).
7 Estar/ser numa posição, subjazer, atitude (κεῖσθαι, keisthai, residir, morar, estar). Os exemplos são: estar deitado, estar sentado, estar de pé. Há uma implicação do corpo na situação, no local específico em que cada um se encontra. 
8 Ter, estado, condição, forma (física, por exemplo) (ἔχειν, echein, ter, estar, ser). Os exemplos implicam o resultado de uma constituição tida a priori ou adquirida, um afecção: calçado com sandálias, armado, equipado. A relação com a roupa é um dos exemplos de Aristóteles para referir a diferença entre estar a olhar para a roupa no armário e tê-la visto. Ver de fora e apropriar-se, assimilar de forma altamente especializada de um conteúdo: roupa, calçado, equipamento, armamento. 
9 Fazer, agir (ποιεῖν, poiein). Há uma relação entre uma forma de actuação, intervenção, um fazer, e o seu objecto: actuado, intervindo, objecto passivo de uma acção: queimar actua diferentemente num dedo e no carvão. O dedo queimado é diferente do carvão queimado. O fogo não existe sem matéria para queimar. A massagem por fricção e o corpo massajado. Não se massajam pedras. 

10 Paixão ou ser afectado ou afecção (πάσχειν, paschein, sofrer, passar por…). Descreve a situação do objecto que é intervencionado, sobre o qual uma acção específica actua e faz surtir o seu efeito. O dedo queimado, o carvão queimado, o corpo massajado, etc., etc.: enunciação da voz passiva do que a acção exprime na voz activa. 

TEMAS DE  Φ Antiga, 3ª sessão: syllabus

TEMAS DE FILOSOFIA ANTIGA
Syllabus
3ª sessão, 02-28-2018
António de Castro Caeiro

4.1. Estobeu, Ecl. 1.136, 21-137, 6
  1. ta ennoêmata não são nem algo nem uma qualidade determinada. Ser algo e ser qualidade têm a determinação de phantasmata tês psychês, são aparições da alma, mente, espírito, lucidez. 
  2. ta ennoêmeta são ideai, tal como os antigos lhes chamaram.
  3. idea é uma manifestação, o modo como algo aparece, se revela, dá mostras de si. Determinação antropomórfica das coisas. São as pessoas que se escondem e aparecem, até de repente, dão mostras de si. 
  4. ta hupoptônta as coisas que caem sob as concepções, kata ta ennoêmata são ideas. ideias de seres humanos, de seres equídeos, de um modo mais genérico, mais abrangente: de todos os seres vivos e de todos os seres de que há ideias.
    1. Obs.: subsunção, particular vs. universal, singular vs. plural, único, episódico, variado, genérico.
  5. os estoicos dizem que são irreais: an-uparktoi, de anuparcsia. Nós participamos das concepções e das declinações, oque eles chamam designações. 
    1. Irrealidade e não inexistência. 
    2. Obs.: As palavras faladas são os símbolos da experiência mental e as palavras escritas são símbolos de palavras faladas. Assim como os homens não têm a mesma escrita, também não têm os mesmos na fala, mas as experiências mentais, que eles simbolizam diretamente, são as mesmas para todos, tal como são as mesmas coisas aquelas das quais as nossas experiências são imagens semelhantes.   Ἔστι μὲν οὖν τὰ ἐν τῇ φωνῇ τῶν ἐν τῇ ψυχῇ παθημάτων σύμβολα, καὶ τὰ γραφόμενα τῶν ἐν τῇ φωνῇ. καὶ ὥσπερ οὐδὲ γράμματα πᾶσι τὰ αὐτά, οὐδὲ φωναὶ αἱ αὐταί· ὧν μέντοι ταῦτα σημεῖα πρώτων, ταὐτὰ πᾶσι παθήματα τῆς ψυχῆς, καὶ ὧν ταῦτα μοιώματα πράγματα ἤδη ταὐτά. (Arist. De intrepretatione, 16a3-7)
    3. sinais, afeções da alma, escrita, oralidade, letras, sons, sinais são os mesmos, as afecções da alma são as mesmas, as coisas são as mesmas. O que há entre situações e afecções da alma é o princípio da assimilação.


4.2 Aécio, 1. 10. 3-5
  1. Platão supõe que as ideias são substâncias separadas da matéria, que subsistem nos pensamentos e nas apresentações/ representações, phantasiai de Deus, isto é, do nous. Aristóteles deixa as formas / eidê e as ideias / manifestações não esperadas da matéria, fazendo-as existir fora de Deus. Os estóicos a partir de Zenão passaram a dizer que as ideias são concepções nossas, ennoêmata hemetera. 
    1. Obs.: ser separado ou existir na realidade. estrutura, morfologia, forma, aspecto, perspectiva como conceitos diferentes. 

4.3. Alexandre de Afrodísias, in Top. 359, 10-16
  1. Se o género existe entre as coisas que são consequência de todas as coisas, a diferença dentro do género terá uma extensão maior ao ser uma das coisas que são consequência de todos os seres. Deste modo, será mostrado que “algo” não é o género de todas as coisas, pois haveria também um género do uno / de todas as coisas que são uma ou únicas, que termia a mesma extensão que o uno ou ainda maior, se com efeito o uno se predica da concepção enquanto que o algo somente se predica dos seres somáticos e não somáticos, ams a concepção nas se predica de nenhum deles, de acordo com os estoicos.
    1. ser algo, ser uno, ser género, ser diferença genérica, predicação, ser concepção. Uma concepção, imaginação, apresentação, representação, fantasia, recordação, percepão, antecipação não existem na realidade não são “algo”, de acordo com o problema que é posto aqui por Alexandre. Uma cadeira não é uma concepção ou uma noção porque não nos podemos sentar numa noção nem numa concepção. Mas para nos sentarmos em algo como uma cadeira temos de ter a noção do que é cadeira, como é usada, como se pode ajustar ao corpo, etc.. 

4.4. Simplício, in cat. 105, 7-21
  1. Segundo os estoicas as entidades comuns são “nada”, devido à sua ignorância de que nem toda a substância é um isto aqui deste género. O sofisma do Ninguém: se alguém está em Atenas não está em Mégara. O homem (ambiguidade: a pessoa X e o homem ser humano) está em Atenas, portanto, o homem não está em Mégara. O ser humano não é alguém, pois o ser humano em geral ou comum a todos os seres humanos não é ninguém. Outra formulação: o que eu sou tu não és. Eu sou um ser humano, portanto, tu não és um ser humano. Eu e tu predicam-se de indivíduos, mas ser humano não se predica de nenhum dos seres humanos particulares. 
    1. yupostasis: existência predicada como verbo pleno de formas e géneros. 
    2. ousia, Tode ti.
    3. OUTIS, TIS, ANTHRÔPOS, EU, TU
    4. âmbito semântico: denotação, conotação, sentido e referência. 

4. 5. Sexto Empírico AM 11. 8-11
  1. definição, proposição universal: explicação do que é privativo de X. Proposição analítica formulada de maneira adequada: ser humano é um serviço dotado de logos e mortal (Def.). se há um ser que é humano, então esse ser é um ser vivo dotado de logos e mortal. 
  2. A falsa subsunção destrói a definição e  a proposição universal: os entes são bons, maus ou neutros (|Def.). Se há algo que é um ser, é ou bom ou mau ou indiferente. 

UNIVERSAIS: entidades genéricas que servem de sujeito racional e às quais se referem termos singulares como “o ser humano”.


Em Zenão os universais são meras concepções, ennoêmata. Na ontologia estoica, são entidades inexistentes, anuparktoi, não são sequer algo ou alguém, uma coisa ou uma pessoa. Em orações como o ser humano é um animal racional mortal, “o ser humano” não tem referente. Mas a análise pode ser intencional. 

TEMAS DE FILOSOFIA ANTIGA. 3ª SESSÃO. HANDOUT

3ª sessão. Handout. 19 de Feveiro, 2019 Sen. Ep. 58. 6.  Quomodo dicetur ο ὐ σία res necessaria , natura continens fundamentum o...