quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Fil. Contemporânea, 2ªª e 4ªª, 16-18. Acerca do sentido. fcsh/unl


SENTIDO
(Aproximações filosóficas)

IIº Semestre, 2011-2012.
António de Castro Caeiro

Filosofia Contemporânea (FCSH/UNL): Perspectivas sobre o sentido e compreensão na filosofia analítica e na hermenêutica (Frege, Wittgenstein, Heidegger).


Resumo:
Introdução
É o título do curso redundante? O que faz ou não sentido? O que tem ou não referência? O que existe sem que demos conta do facto? Qual o estatuto do que não tem existência real e, contudo, vive connosco diariamente? O que é inteligível sem ser compreensível? Qual a inteligibilidade do incompreensível? Procuraremos traçar desde a origem alguns dos problemas da contemporaneidade.

Iª UNIDADE: Frege
O programa de Wittgenstein parte de uma aplicação sistemática do de Frege. Faz sentido o que tem referente ou é objecto de denotação. É objecto de denotação o que tem valor de verdade, isto é, do que pode ser objecto de verificação formal ou admite quantificação. A redução da linguagem a uma “proposição formada correctamente” implica a segregação negativa do discurso indirecto, a neutralização das conjunções subordinadas, eliminação de advérbios e locuções adverbiais, tradução da estrutura tradicional do predicado S é p na fórmula concisa F(x), do argumento de F.

IIª UNIDADE: Wittgenstein (Tractatus)
A possibilidade da investigação filosófica constitui-se assim na formulação de proposições correctamente formadas com sentido se e somente se têm objecto de denotação ou possível referente. A bateria de constituição de sentido em Frege só deixa lugar para conjunções coordenativas, onde a ideia de implicação é material e não verdadeiramente condicional. A análise de Wittgenstein tem uma pretensão de totalidade e saturação do limite do possível. A sua análise do sentido, sem sentido, com e sem denotação é aquém da tautologia e além da contradição, isto é, além do que não tem condições de verdade e aquém do que não é verdadeiro sob nenhuma condição.

IIIª UNIDADE: Wittgenstein (Investigações Lógica)
Os desenvolvimentos ulteriores ao Tractatus implicam uma verificação sistemática de princípios de inteligibilidade em múltiplos espaços e regiões de sentido, expressos em jogos de linguagem. A fragmentação e pulverização da vida por campos com linguagens próprias implica uma constante vigilância e verificação do sentido. O que se diz é o que é. O que se faz é a expressão do sentido e a própria linguagem.


IVª Unidade: Heidegger
Com Heidegger produz-se uma radicalização da linguagem prévia à sua formulação. Toda a formulação é elíptica relativamente ao que quer dizer, porque não precisa. A linguagem é uma expressão do sentido que se constitui e torna presente mesmo com o episódico, o excepcional. Mas as estruturas profundas não são sondáveis por uma espécie de montagem invertida desde a ponta do iceberg atómico até superestruturas invisíveis. Já na própria formulação da linguagem quotidiana se expressa a proto estrutura anónima que procede ao sentido que o constitui. O próprio sentido na sua génese torna a tautologia dependente de condições de verdade e não se percebe como a contradição não é incondicional. 


14/02: Mundo.
Wittgenstein, Tractatus, 1.
FREGE, “Funktion und Begrifff” in Funktion, Begriff, Bedeutung, Fünf logische Studien, Vandenhoeck und Ruprecht, Göttingen, 1961, pp: 1-22.

16/02: Totalidade.
Wittgenstein, Tractatus, 2.
FREGE, “Über Sinn und Bedeutung” in Funktion, Begriff, Bedeutung, Fünf logische Studien, Vandenhoeck und Ruprecht, Göttingen, 1961, pp. 23-46.


23/02: Configuração.
LW, Tractatus,   2.11-3.03
FREGE, “Über Begrifff und Gegenstand” in Funktion, Begriff, Bedeutung, Fünf logische Studien, Vandenhoeck und Ruprecht, Göttingen, 1961, 47-60.


28/02: Verdade.
LW, Tractatus: 3.04-4.121
FREGE, “Was ist eine Funktion” in Funktion, Begriff, Bedeutung, Fünf logische Studien, Vandenhoeck und Ruprecht, Göttingen, 1961, pp. 61-69.

Begriffsschrift und andere Aufsätze, Zweite Auflage, mit E. Husserls und H. Scholz Anmerkungen, hrg., von Ignacio Angelelli, Georg Olms Verlag, Hildesheim, Zürich, New York, 2007, §§2, 3, 8, 9.

01/03: Antecipação.
LW, Tractatus: 4.12-5.

06/03: Operação.
LW, Tractatus: 5.-5.552

08/03: O mundo sem mim.
LW, Tractatus: 5.552-7.

13/03: Sentido.
LW, PH, 39, 47, 60, 71, 352, 380, 426, 449, 504, pp. 500-501

15/03: Ter sentido.
LW, PH, 40, 47, 50, 138, 157, 227, 246, 253, 257, 366, 398, 453, 499.

20/03: Sentido de uma proposição.
LW, PH, 20, 39-40, 44, 58, 79, 98-99, 117.

22/03: Ausência de sentido:
LW, PH, 39-40, 79, 119, 134, 246, 252, 282, 448, 464, 512, 524, 282.

27/03: Sem Sentido.
LW, PH, 71, 157, 247, 358, 361, 408, 500.

29/03: Situações.
LW, PH, 49, 166, 171, 216, 337, 417, 448, 581, 591-592, 645, 662.

03/04: Mundo.
Heidegger, SZ, §§12-15.

05/04: Totalidade.
Heidegger, SZ, §48.

10/04: Disposição.
Heidegger, SZ, §29.

12/04: Antecipação.
Heidegger, SZ, §64.

17/04: Operação.
Heidegger, SZ, §40.

19/04: Eu sem mundo.
Heidegger, SZ, §40-41.

24/04: Sentido situacional.
Heidegger, SZ, §3.

26/04: Sentido temporal.
Heidegger, SZ, §69.

01/05: Sentido do quotidiano.
Heidegger, SZ, §70.

10/05: Situação hermenêutica.
Heidegger, Vol, 56/57.

15/05: Situação Hermenêutica.
Heidegger, Vol. 61

17/05: Situação Hermenêutica.
Heidegger, vol. 63.

22/05: Perspectiva analítica sobre a hermenêutica.

24/05: Perspectiva hermenêutica sobre a analítica.

29/05: Sessão de esclarecimento de dúvidas.
31/05: Exame.

Nota bibliográfica: Há leituras obrigatórias para cada sessão. Encorajar-se-á fortemente o diálogo.

FREGE
Funktion, Begriff, Bedeutung, Fünf logische Studien, Vandenhoeck und Ruprecht, 2008.
HEIDEGGER,
Sein und Zeit, 11ªed, Max Niemeyer Verlag, Tübingen, 1967.

WITTGENSTEIN
“Tractatus lógico-philosophicus” in Werkausgabe, Band1, Suhrkamp Verlag, Frankfurt am Main, 1984, pp. 7-86.
“Philosophische Unteruschungen” in Werkausgabe, Band1, Suhrkamp Verlag, Frankfurt am Main, pp. 225-580. 

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